BDSM

por: Lena Lopez

Cada pessoa é detentora de seu pensamento e ninguém pode igualá-los, como impressões digitais, eles ditam a personalidade de cada um. Como digitais de almas, se compararmos duas ou mais pessoas, por mais parecidas que sejam, seus pensamentos em serão iguais em determinadas situações e divergentes em outras, podem se parecerem aqui e diferentes alí. Além disso, cada um dos seres humanos possui uma característica, que torna muito difícil conhece-lo profundamente, a imprevisibilidade, ou seja, uma pessoa pode agir de diferentes forma para com situações parecidas. Existe também, as duplas personalidades, isto é, para determinadas situações, eventos, momentos ou hora é uma coisa ou outra, dependendo do seu estado de espírito, emoção carregada, afetividade aos envolvidos, etc. Em resum
Ninguém é capaz de definir, analisar ou conhecer profundamente um ser humano, pois ele é livre para fazer aquilo que achar melhor ou que melhor se adequar para o momento que está vivendo, desde que não cometa transgressões. Muito depende da cultura, praticada por ele e pela sociedade que o envolve e que dela ele faz parte.
Qualquer sociedade possui um ritmo, um cotidiano, costumes e culturas, que formam o pensamento coletivo de uma comunidade. Cada povo cultiva uma forma comportamental, ou seja um paradigma de comportamento que terá reflexo sobre cada um dos indivíduos que o compõe e não será exagero se alguém adotar níveis comportamentais abaixo ou acima daquele que é praticado, ou seja, há margens toleráveis.
Exemplificando, em toda sociedade existem indivíduos criminosos que cruzam pelas ruas e esquinas, ao lado deles há os indivíduos transitando pelos mesmos logradouros, há pessoas que vivem do sexo e outras que trabalham em creches e escolas, delegacias, farmácias, industrias, supermercados e uma infinidade de profissões. Cada um desenvolve e pratica o que lhe foi conferido ou planejado para aquele determinado período de tempo, não importando para isso qual seja a raça, cor, time do coração ou religião, que se traduzem em comportamentos e estes podem ser, normais, estranhos e até mesmo hediondos.
Ao lado de cada um dos comportamentos individuais, há as razões para essa ou aquela atitude e são elas que ditam se determinadas ações serão levadas a termo em público ou anonimamente, ou seja, dividem-se em padrão coletivo e padrão intrínseco. Os padrões coletivos são os comuns a cada um dos componentes da comunidade, os padrões intrínsecos são aqueles que comumente são chamados de aberrações e necessitam do anonimato, pois vivê-los publicamente por gerar serias consequências para o indivíduo ou para a sua família, por que não são aceitos como práticas normais, apesar de não poderem ser consideradas crimes, contravenções ou transgressões. Exemplo disso é um homem respeitado, visto como forte e viril, mas a noite deixa suas fantasias saltarem do seu íntimo e veste-se com roupas femininas, mas deixa-se penetrar com próteses penianas manipuladas pela sua esposa. Ou, uma esposa totalmente amorosa que à noite transformasse em uma mulher compulsiva por sexo e altamente dominadora do seu parceiro.
É neste quadro comportamental que se encaixa o BDSM, ou como seja, Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo.
O padrão de comportamento sexual constante no BDSM, é raramente percebido em locais livres da censura popular, os praticantes geralmente assumem esse tipo de conduta sexual para quem seja adepto das mesmas idéias e a pratica se restringe a locais apropriados e longe dos olhos alheios.
Dar significado ao BDSM é simples.
O "B" é relativo à pratica do "bondage", o qual é relacionado aos atos e ações, geralmente a imobilização da parte submissa, através da amarração com cordas, correntes, algemas e similares, faz parte dele a pratica japonesa do "shibari" (traduzindo literalmente: amarrar), um meio mais sofisticado e artístico de imobilização, desenvolverei sobre isso em uma futura postagem. 
O "D" significa "disciplina" e como em toda a atividade humana, ela é essencial para que algo seja bem feito e satisfatório. Na disciplina é onde se estabelece os limites e as tolerâncias, à parte dominante cabe a observação dos limites e à parte dominada cabe a tolerância do que lhe é infringido observando o seu limite, evitando a ultrapassagens dos extremos, ou seja, o prazer é a meta e a responsabilidade uma obrigação.
O "S" significa "submissão" e dele subtende-se o princípio do "controle" ou dominação. É claro e de comum acordo, que não existe submissão, onde não há alguém controlando ou tomando o poder para si. Diferentemente do que pensamos, dominação e submissão não são opções ou escolhas, mas duas tendências comportamentais, que se relacionam entre si, porém são distintas, a parte dominante sente prazer exercendo o controle e a parte dominada ou submissa, sente prazer ao ser controlada.
Finalmente o "M", que significa "masoquismo" e pela relação de necessidade, como no anterior, subtende-se no acrônico o "sadismo", ou juntado as duas expressões, sadomasoquismo. São tendencias e etimologicamente, quase se igualam às tendencias de dominação e submissão, pois são dois opostos que se relacionam entre si. Não é possível existir um sádico que não exerça o controle e nem submissos que queiram controlar, apesar de que em certos momentos, cenas e situações, as tendências se confundem em uma simbiose, capaz de confundir e deixar duvidas sobre quem realmente é o dominador e o dominado. Mas para efeito de definição, sadismo é um instinto que leva um indivíduo a sentir prazer causando dor a um outro e masoquismo é instinto que leva um indivíduo a sentir prazer ao sentir dor.
A dor no BDSM não é causada apenas pelo sofrimento físico, mas também pelo moral. Nem sempre estão relacionados e há sádicos que sentem prazer somente imputando o sofrimento físico, há sádicos que sentem prazer apenas no sofrimento moral e há os sádicos que sentem prazer em ambas as situações, do mesmo modo e na mesmo proporção há essas diferenças entre os indivíduos submissos.
Normalmente confundimos BDSM com Sadomasoquismo, é preciso saber diferenciá-los. O BDSM é um movimento e o sadomasoquismo o objeto. Dizer que são iguais é errôneo. O BDSM é a organização das relações entre as tendências que dele fazem parte e o Sadomasoquismo é o afloramento dos instintos dos indivíduos que possuem as tendências. Uma pessoa dominadora, nem sempre será um sádico irresponsável, mas um sádico obrigatoriamente, deverá ser dominador e manipulador e poderá ser irresponsável nos seus atos, chegando a cometer atrocidades, devido a falta de controle dos seus instintos.  Do outro lado, um masoquista irresponsável, na falta de um sádico para oferecer-lhe sofrimento, pode se autoflagelar, a ponto de chegar ao suicídio. Podemos afirmar com certeza que, sadomasoquismo sem controle, não é BDSM.

As relações BDSM sem devem ser consideradas seguras e devem obedecer a uma ética, chamada SSC, Sadio, Seguro e Consensual. Sadio por que, os envolvidos devem estar, conscientes e fazer apenas o que lhes mantenham a integridade física, psicológica e emocional. Como em qualquer atividade de risco, o cuidado e o conhecimento são obrigatórios e isso demanda em "segurança" e consciência do que estão fazendo. Qualquer mal-entendido deve ser evitado, limites devem ser respeitados e separados o que é aceitável dos abusos, portanto haverá sempre o "consenso" entre as partes envolvidas, que estabelece as regras da relação.
Podemos classificar com BDSM, as praticas de dominação, submissão e sadomasoquismo que atenderem à segurança e integridade dos envolvidos, forem racionais, diferenciar a fantasia da realidade, tiver consciência e conhecimento sobre as ações, houver responsabilidade e limites respeitados, o quais geralmente são estabelecidos pela safeword, palavra chave ou senha, a declaração da parte dominada ou submissa, que chegou o seu limite suportável.
Como escrevi anteriormente, este é o primeiro de uma série de artigos que irei escrever sobre o assunto, em cada um deles procurarei me aprofundar mais um pouco e manter uma linguagem simples, para que seja entendido pelas pessoas leigas ao assunto.

7 comentários :

  1. Escolhemos ou definimos o que queremos no BDSM?
    Nasci dominadora e nunca me vi na situação de Switcher e muito menos como submissa.
    Dentro do BDSM cabe todos os desejos, vontades e fetiches e o único limite vem de nós mesmos.
    Beijos gulosos em você

    ResponderExcluir
  2. Caraiiii.... se antes já te adorava por essa tua capacidade de compreensão associada ao talento de expor idéias, sentimentos e tanto erotismo, hj com certeza virei tua fã número UM incondicional... adorei! um texto claro, sem preconceitos velados, esclarecido e de linguagem fácil para tantas pessoas que assim como eu que no princípio, buscava informações para entender e não me condenar sobre todas as sensações que me inquietavam e eu ainda não compreendia...

    Lena, te admiro por ser alguém de tanta amplitude...

    bjusss no cuore

    ResponderExcluir
  3. Lena..
    E abordar este assunto é sempre bacana,ainda mais com a seriedade que você o trata.
    Parab ens pelo tema,pelo tópico e que venham outros.
    beijos cheio de carinho doce loira

    {Nega}_(V)

    ResponderExcluir
  4. Oi Querida!

    Você aprofunda cada vez mais a sua visão sobre o tema, e está certa ao afirmar que sadomasoquismo sem controle não é BDSM. BDSM é para proporcionar prazer e realização pessoal e sexual, não auto-destruição.

    Miaubeijos com carinho =^.^=

    ResponderExcluir
  5. Adooooooro!!!
    Parabéns pela matéria!!!

    Beijos Intensos

    ResponderExcluir
  6. Oi louraça gostosa!
    Saudades de ti e teus pensamentos. Mas uma paradinha especial neste tópico que achei muito interessante, enxuto, abrangente. BDSM sem responsabilidade não existe, e um masoca sem freio é mal comparando um próprio camicaze.
    Beijokas e lindo fim de semana
    D.Amanda®

    ResponderExcluir

***********************************
ATENÇÃO COMEDORES, leiam antes de comentar:
Comentários que contenham, endereço de e-mail, telefones e propostas para relacionamentos, não serão publicados, para isso existem sites especializados. Também terão o mesmo destino, comentários ofensivos, discriminatórios e preconceituosos.
***********************************
OBRIGADA PELA SUA VISITA!