BDSM

por: Lena Lopez

Cada pessoa é detentora de seu pensamento e ninguém pode igualá-los, como impressões digitais, eles ditam a personalidade de cada um. Como digitais de almas, se compararmos duas ou mais pessoas, por mais parecidas que sejam, seus pensamentos em serão iguais em determinadas situações e divergentes em outras, podem se parecerem aqui e diferentes alí. Além disso, cada um dos seres humanos possui uma característica, que torna muito difícil conhece-lo profundamente, a imprevisibilidade, ou seja, uma pessoa pode agir de diferentes forma para com situações parecidas. Existe também, as duplas personalidades, isto é, para determinadas situações, eventos, momentos ou hora é uma coisa ou outra, dependendo do seu estado de espírito, emoção carregada, afetividade aos envolvidos, etc. Em resum
Ninguém é capaz de definir, analisar ou conhecer profundamente um ser humano, pois ele é livre para fazer aquilo que achar melhor ou que melhor se adequar para o momento que está vivendo, desde que não cometa transgressões. Muito depende da cultura, praticada por ele e pela sociedade que o envolve e que dela ele faz parte.
Qualquer sociedade possui um ritmo, um cotidiano, costumes e culturas, que formam o pensamento coletivo de uma comunidade. Cada povo cultiva uma forma comportamental, ou seja um paradigma de comportamento que terá reflexo sobre cada um dos indivíduos que o compõe e não será exagero se alguém adotar níveis comportamentais abaixo ou acima daquele que é praticado, ou seja, há margens toleráveis.
Exemplificando, em toda sociedade existem indivíduos criminosos que cruzam pelas ruas e esquinas, ao lado deles há os indivíduos transitando pelos mesmos logradouros, há pessoas que vivem do sexo e outras que trabalham em creches e escolas, delegacias, farmácias, industrias, supermercados e uma infinidade de profissões. Cada um desenvolve e pratica o que lhe foi conferido ou planejado para aquele determinado período de tempo, não importando para isso qual seja a raça, cor, time do coração ou religião, que se traduzem em comportamentos e estes podem ser, normais, estranhos e até mesmo hediondos.
Ao lado de cada um dos comportamentos individuais, há as razões para essa ou aquela atitude e são elas que ditam se determinadas ações serão levadas a termo em público ou anonimamente, ou seja, dividem-se em padrão coletivo e padrão intrínseco. Os padrões coletivos são os comuns a cada um dos componentes da comunidade, os padrões intrínsecos são aqueles que comumente são chamados de aberrações e necessitam do anonimato, pois vivê-los publicamente por gerar serias consequências para o indivíduo ou para a sua família, por que não são aceitos como práticas normais, apesar de não poderem ser consideradas crimes, contravenções ou transgressões. Exemplo disso é um homem respeitado, visto como forte e viril, mas a noite deixa suas fantasias saltarem do seu íntimo e veste-se com roupas femininas, mas deixa-se penetrar com próteses penianas manipuladas pela sua esposa. Ou, uma esposa totalmente amorosa que à noite transformasse em uma mulher compulsiva por sexo e altamente dominadora do seu parceiro.
É neste quadro comportamental que se encaixa o BDSM, ou como seja, Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo.
O padrão de comportamento sexual constante no BDSM, é raramente percebido em locais livres da censura popular, os praticantes geralmente assumem esse tipo de conduta sexual para quem seja adepto das mesmas idéias e a pratica se restringe a locais apropriados e longe dos olhos alheios.
Dar significado ao BDSM é simples.
O "B" é relativo à pratica do "bondage", o qual é relacionado aos atos e ações, geralmente a imobilização da parte submissa, através da amarração com cordas, correntes, algemas e similares, faz parte dele a pratica japonesa do "shibari" (traduzindo literalmente: amarrar), um meio mais sofisticado e artístico de imobilização, desenvolverei sobre isso em uma futura postagem. 
O "D" significa "disciplina" e como em toda a atividade humana, ela é essencial para que algo seja bem feito e satisfatório. Na disciplina é onde se estabelece os limites e as tolerâncias, à parte dominante cabe a observação dos limites e à parte dominada cabe a tolerância do que lhe é infringido observando o seu limite, evitando a ultrapassagens dos extremos, ou seja, o prazer é a meta e a responsabilidade uma obrigação.
O "S" significa "submissão" e dele subtende-se o princípio do "controle" ou dominação. É claro e de comum acordo, que não existe submissão, onde não há alguém controlando ou tomando o poder para si. Diferentemente do que pensamos, dominação e submissão não são opções ou escolhas, mas duas tendências comportamentais, que se relacionam entre si, porém são distintas, a parte dominante sente prazer exercendo o controle e a parte dominada ou submissa, sente prazer ao ser controlada.
Finalmente o "M", que significa "masoquismo" e pela relação de necessidade, como no anterior, subtende-se no acrônico o "sadismo", ou juntado as duas expressões, sadomasoquismo. São tendencias e etimologicamente, quase se igualam às tendencias de dominação e submissão, pois são dois opostos que se relacionam entre si. Não é possível existir um sádico que não exerça o controle e nem submissos que queiram controlar, apesar de que em certos momentos, cenas e situações, as tendências se confundem em uma simbiose, capaz de confundir e deixar duvidas sobre quem realmente é o dominador e o dominado. Mas para efeito de definição, sadismo é um instinto que leva um indivíduo a sentir prazer causando dor a um outro e masoquismo é instinto que leva um indivíduo a sentir prazer ao sentir dor.
A dor no BDSM não é causada apenas pelo sofrimento físico, mas também pelo moral. Nem sempre estão relacionados e há sádicos que sentem prazer somente imputando o sofrimento físico, há sádicos que sentem prazer apenas no sofrimento moral e há os sádicos que sentem prazer em ambas as situações, do mesmo modo e na mesmo proporção há essas diferenças entre os indivíduos submissos.
Normalmente confundimos BDSM com Sadomasoquismo, é preciso saber diferenciá-los. O BDSM é um movimento e o sadomasoquismo o objeto. Dizer que são iguais é errôneo. O BDSM é a organização das relações entre as tendências que dele fazem parte e o Sadomasoquismo é o afloramento dos instintos dos indivíduos que possuem as tendências. Uma pessoa dominadora, nem sempre será um sádico irresponsável, mas um sádico obrigatoriamente, deverá ser dominador e manipulador e poderá ser irresponsável nos seus atos, chegando a cometer atrocidades, devido a falta de controle dos seus instintos.  Do outro lado, um masoquista irresponsável, na falta de um sádico para oferecer-lhe sofrimento, pode se autoflagelar, a ponto de chegar ao suicídio. Podemos afirmar com certeza que, sadomasoquismo sem controle, não é BDSM.

As relações BDSM sem devem ser consideradas seguras e devem obedecer a uma ética, chamada SSC, Sadio, Seguro e Consensual. Sadio por que, os envolvidos devem estar, conscientes e fazer apenas o que lhes mantenham a integridade física, psicológica e emocional. Como em qualquer atividade de risco, o cuidado e o conhecimento são obrigatórios e isso demanda em "segurança" e consciência do que estão fazendo. Qualquer mal-entendido deve ser evitado, limites devem ser respeitados e separados o que é aceitável dos abusos, portanto haverá sempre o "consenso" entre as partes envolvidas, que estabelece as regras da relação.
Podemos classificar com BDSM, as praticas de dominação, submissão e sadomasoquismo que atenderem à segurança e integridade dos envolvidos, forem racionais, diferenciar a fantasia da realidade, tiver consciência e conhecimento sobre as ações, houver responsabilidade e limites respeitados, o quais geralmente são estabelecidos pela safeword, palavra chave ou senha, a declaração da parte dominada ou submissa, que chegou o seu limite suportável.
Como escrevi anteriormente, este é o primeiro de uma série de artigos que irei escrever sobre o assunto, em cada um deles procurarei me aprofundar mais um pouco e manter uma linguagem simples, para que seja entendido pelas pessoas leigas ao assunto.

BDSM: Dominação, Submissão e o Switcher

por: Lena Lopez


DOMINAÇÃO:

Em muitas atividades cotidianas e organizadas, exige que haja sobre ela um controle e um controlado, no trabalho os superiores exercem-no sobre os empregados, na escola o professor exerce-o sobre os alunos,, em casa os pais sobre os filhos (em algumas situações, um cônjuge sobre o outro), etc e, há entre eles uma reciprocidade ou é estabelecido um acordo.
No BDSM as coisas não são diferentes, existe a necessidade de um controlador e um controlado, porém esta relação é medida pelos desejos e pelas tendencias que são conhecidas por dominação e submissão, que é uma troca de poder, em função da satisfação dos envolvidos.
No BDSM, dominador é aquele que sente prazer no poder que exerce para  o controle física e psicológico de uma personalidade submissa. A sua maneira de dominar, é que determina se consegue que a outra parte interaja com ele e se entregue de corpo e alma. O dominador autêntico, não só sente prazer pelos castigos e sofrimento que imputa a outra parte, mas também sente prazer em compreender, cuidar, proteger, ensinar, guiar e  elevar uma personalidade submissa, mesmo que tenha que abrir mão dos seus objetivos vez por outra. Precisa ter discernimento para saber até onde pode e deve ir, observar os limites, juntamente com o auto-controle, evitando ricos para o bem-estar, físico e psicológico, da pessoa que se entrega a ele. É relevante acima de tudo, respeitar os limites impostos pela outra parte, comprometendo-se com responsabilidade, à tentativa dar-lhes elasticidade, sem nunca os ultrapassar.
A dominação é o desejo de controlar uma outra pessoa, em comum acordo com ela, é um dos lados das tendencias que em relação com o outro, garante a satisfação de ambos.
Não existe regras para se tornar dominador, nem mesmo um caminho a ser observado. A dominação é algo íntimo e pessoal, ela pode ser física ou psicológica,  severa ou gentil, exigente ou atenciosa, pode ser a conjugação de algumas ou de todas, é uma questão de personalidade.
Convém lembrar, que dominação não é falta de educação, é muito mais do que exercer pura e simplesmente o poder. É mais apropriado compreender um dominador pela sua maneira de ser e de pensar, do que pelo que ele faz.
Existem várias razões para que uma pessoa viva a dominação, entre elas, apimentar as relações sexuais, aumentar as chances de ter alguém, escapar da monotonia, ou, como em todas as tendências do ser humano, a dominação pode fazer parte da personalidade, para estas, a vivência é diuturna.
É ilusão pensar que pode-se fazer da dominação um estilo de vida, adotando maneiras inconsequentes para viver e pensar que ela pode render relacionamentos fáceis, onde se pode tornar o todo poderoso da relação, a realidade é bem contrária, é uma troca de dar e receber, como em qualquer tipo de relacionamento humano, melhor é preparar-se muito mais para a doação.
A verdadeira dominação é sadia, livre de perversões, segura e afastada da irresponsabilidade, consensual e sem nenhum tipo de abuso, gratificante, cortês e respeitosa e tem no seu íntimo a liberdade, sem imposições ou manipulações.

SUBMISSÃO:

Segundo a maioria dos dicionários a submissão é o ato ou efeito de se submeter, obediência voluntária; sujeição ou submissão perfeita. Humildade, humilhação, passividade, subserviência.
Relativamente aos aspectos do BDSM, submissão é uma cessão consciente de poder e caracteriza a entrega completa a uma outra pessoa, a qual passa a exercer o controle até um limite estabelecido. Esse limite pode pré-estabelecido ou descoberto aos poucos, respeitando-se os fundamentos principais do BDSM, que estabelecem uma relação Sadia, Segura e Consensual. A submissão é ilimitada quanto ao grau de satisfação, pode ir do meramente psicológico à dor física extrema, é muito mais uma atitude de desejo, quando os limites são ultrapassados sem o consentimento da parte submissa, torna-se abuso.
Como para a dominação, as razões para a dominação são várias e infinitas, do mesmo modo pode conter o desejo para apimentar as relações sexuais, há quem busque o prazer sexual nas punições que lhe são impostas, pois a dor lhe desperta a líbido, outros se submetem para dar prazer à outro. É uma questão de personalidade, querer traçar um perfil, haveria necessidade de imergir profundamente nos aspectos psicossexuais da alma humana, deixemos isso para os seguidores de Jung e Freud.
A submissão consciente requer dedicação, não admite fraqueza e inferioridade, detém confiança e entrega, é inteligente, criativa e motivada, respeitosa, sem imposição, voluntária, livre de promiscuidade e acima de tudo deve promover a felicidade do ser. Se a submissão não trouxer a felicidade, for movida unilateralmente pelo dominador, não é BDSM, mas apenas uma subjugação oportunista, ou seja, a dominação é exercida sobre a fraqueza moral e comportamental de uma vítima.

SWITCHER:

Na natureza viva há dois gêneros distintos, o masculino e o feminino. No reino vegetal distingue-se eles pelo androceu e o gineceu, no reino animal pela vagina e o pênis, nos dois reinos há exceções, nas quais há em um mesmo indivíduo a presença dos dois órgãos, conhecida por hermafroditismo. Diferente do reino vegetal, ao qual a natureza impõe a impossibilidade do movimento e a satisfação de instintos e detém a maioria dos casos de hermafroditismo, o reino animal é dotado dessa liberdade, para ir em busca do sexo oposto e satisfazer os seus instintos, em raríssima exceções os casos de hermafroditismo no reino animal, exercem atividades auto-reprodutórias, a grande maioria dos casos encontrados, são erros genéticos, que os tornam incompatíveis com a saúde sexual.
Sabe-se, através de pesquisas, estudos e experiencias, que dois seres do mesmo sexo, se isolados, assumem características homossexuais e buscam a satisfação dos seus instintos mutuamente, ou seja, dois cães isolados durante longo tempo, terão relações sexuais entre eles, podendo um assumir a feminilidade ou haver revesamento, desta forma a natureza age sem preconceito, a favor da satisfação dos instintos. Torna-se claro que a homossexualidade é um aspecto natural.
No reino animal, o ser humano é o nível mais alto da evolução, além dos instintos relativos à sua animalidade, detém em si,  a inteligencia e o livre-arbítrio. Estas duas características lhe dão a possibilidade de promover decisões e escolhas. Como nos demais níveis vivos da natureza, existe no "reino" humano os dois gêneros, masculino e feminino, determinados a manterem a preservação da espécie e a evolução da mesma, através dos relacionamento sexuais, por convenção, heterossexuais. Sendo o Homem, uma criatura capaz de escolher e decidir seus caminhos, há as decisões e escolhas nem sempre convencionais, existem indivíduos que por motivos religiosos, morais ou por outra particularidade que decidem se absterem do relacionamento sexual e se tornam celibatários. Outros indivíduos decidem se relacionar apenas com pessoas do mesmo sexo, como maneira de prazer mais adequado para eles, adotando para si a homossexualidade, seja por livre escolha ou necessidade psicológica ou física. Há também, aqueles indivíduos que por sua livre escolha, decidem se relacionar intimamente com pessoas de ambos os sexos, assumindo por convenção social a sua bissexualidade.
Definir os aspectos sexuais do ser humano, não é tão fácil, dar-lhes as razões para tal e mais difícil ainda, tentar traçar perfis é quase impossível, tal é a quantidade de variantes que envolvem o assunto. Adotou-se três padrões básicos, heterossexualismo, homossexualismo e bissexualismo, o primeiro seria o padrão, relação homem e mulher, o segundo aborda as relações entre dois homens ou entre duas mulheres, mas é capaz de se dividir em inúmeros "subgrupos", como transexualismo, travestismo, inversões, ou alguns sentem prazer ao se relacionarem com personalidades semelhantes, e outros preferem se relacionarem com indivíduos personificando o sexo oposto, há quem prefere a atividade sexual passiva e quem prefere a ativa. No terceiro grupo, é mais difícil ainda traçar perfis, o número de variantes é enorme e vai desde o simples desejo por curiosidade de manter relacionamento sexual com o mesmo sexo, a manutenção das relações como prerrogativa de felicidade. 
Se na natureza e no ser humano existem tantos aspectos sexuais, por que deixaria de acontecer no BDSM?
Conhecido no meio BDSM como "switcher" ou "SW" (a tradução literal é flexivel, alternado), repugnado por alguns, adorado por outros, há quem diga que é o "bi" do meio BDSM e quem afirme que o switcher é aquele que aproveita-se da totalidade do BDSM, sem limitar-se a uma metade.
O switcher por suas caracteristicas, as quais faz dele, ora um dominador e ora um dominado, aproveitar todo o pontencial que o BDSM oferece, sem restringir-se a um único papel, sem no entanto planejar ou elaborar as suas decisões, como o dominador e o submisso, ele é e pronto. Geralmente as característica de personalidade do SW, é dotada de liberdade e a liberalidade de pensamentos, viaja por além de tabus e tem a necessidade de experimentar tudo. Ajusta a satisfação dos seus desejos, conforme o momento que vive, a motivação que lhe sobressai, o estado de espírito que está se movendo e o parceiro que se relaciona, não faz questão de papéis definidos.
Indiferente à relação dominador-submisso, ao ser dominado pode ser entregar totalmente, mas se sentir os laços dominantes frouxos, é capaz de virar o jogo, é necessário firmeza para dominá-lo, mas isso não significa uma constante medição de forças. O "SW" por suas característica, dificilmente estabelece uma relação fixa com apenas um dominador, lhe é necessário relações com partes submissas e navega em torno das duas faces do BDSM. 
Para entender, a maneira que o SW satisfaz o seus desejos, é necessário compará-lo ao bissexual, o qual busca o prazer de diferentes maneiras, dependendo da situação e do parceiro que lhe faz companhia. Uma mulher bi, quando junto a um homem buscará o prazer de uma forma, utilizando-se da copulação o meio principal para obter o orgasmo, quando junto a outra mulher, o orgasmo será buscado de diferentes maneiras e nem sempre a penetração por próteses ou objetos fálicos será necessária, neste sentido as preliminares ganham maiores proporções, enquanto que no sexo convencional as preliminares são apenas um resumo. Mesmo assim, há quem pergunte, como pode duas mulheres fazerem sexo, ou, perguntas e dúvidas se há realmente sexo entre duas mulheres, o que denuncia a ignorância de pensamento, que sexo é somente o coito e o antes e o depois é bobagem.

Finalizando, podemos dizer que Dominadores e submissos são as duas faces do BDSM, com suas características claras e maneiras distintas para a obtenção do prazer, o SW é um elo de ligação entre as duas faces, que por suas características, necessidades e forma de pensamentos lhe é imprescindível transitar por ambos os lados, dedicar-lhe preconceito é igualar-se ao leigo, que discrimina e criminaliza o BDSM.

BDSM: O Bondage

por: Lena Lopez

Infelizmente na internet, encontramos muito pouca coisa, que realmente fale filosoficamente sobre o bondage, muito maior é a quantidade de páginas que se dedicam à divulgação da prática em si. Para falar sobre o Bondage, é necessário submergir na área do fetiche, pois ele é muito mais do que apenas uma prática exclusiva do BDSM e sim um fetiche de uma grande parcela da população em geral.

FETICHE: 

Uma expressão oriunda do  francês fétiche, que foi tomada emprestada pela lingua francesa da palavra portuguesa feitiço, originada do latim facticius (artificial, fictício), é um objeto qualquer que a ele se atribui poderes mágicos, sobrenaturais, encantadores e delumbrantes. O conceito foi usado inicialmente pelos portugueses, à época dos descobrimentos,  para definir os objetos utilizados em cultos religiosos nas suas colonias africanas . A partir de Portugal o termo tornou-se conhecido na Europa e na França foi-lhe atribuido o caráter sexual, definindo com tal, as práticas e objetos capazes de desenvolver no ser humano o despertamento da líbido. O bondage é uma variante ou parte específica dos fetiches.

BONDAGE:

Etimologicamente, é um substantivo neutro e significa escravidão, servidão, dependência, sujeição, cativeiro.
É um tipo de fetiche, relacionado ao sadomasoquismo e uma busca na obtenção do prazer através da imobilização de uma ou mais pessoas, utilizando-se instrumentos de retenção, como cordas, algemas, correntes e outros, onde uma parte sente prazer ao imobilizar e a outra ao ser imobilizada. Pode ela envolver, ou não, a prática de sexo com penetração e a sensação de dor à parte imobilizada.
Atualmente, a prática vem tomando popularidade, casais incorporaram elementos de retenção em suas vidas sexuais. Jogos de retenção, se traduzem em preliminares satisfatórias, apimentam a relação e trazem ingredientes diversos, uma vez que podem ser adotados o uso de vendas e mordaças, junto a masturbação, sexo oral ou convencional mutuamente, mas implica um nível de grande confiança, cumplicidade e intimidade entre eles. As regras de segurança seguidas pelo envolvidos são baseadas na confiança como um parceiro deposita no outro, ao ser amarrado, ou ainda, vendado e amordaçado.
O sexo acontece com o pré-consentimento concedido deste parceiro e pode assumir formato de jogo sexual e realização das mais diversas fantasias.
Há pessoas que consideram a escravidão ou servidão, neste caso o Bondage, eroticamente estimulante e sexualmente excitante.
O Bondage é bem diversificado e poderíamos dizer elasticamente fetichista, uma vez que possibilita a construção de cenas extremamente plásticas em beleza e erotismo, pode se utilizar vestimentas específicas, jogar com cores e formas, iconizar a relação com dominação e submissão, passividade, inocência, violência,   sendo elas, por exemplo, do meio urbano, rural, estudantil, religioso, feudal, moderno, vitoriano, prisional, etc, criando-se o clima desejado para o momento, cenas nas quais um assume o papel dominante e o outro o dominado.
Existem exemplos nas artes, no cinema, na literatura e na cultura em geral,  como exemplo na pintura, Rembrandt (1630), Chassériau Théodore (1840), Edward Poynter (1869) e Gustave Doré (1869).
O poema épico Angelica do século XV de Orlando Innamorato, é outro exemplo e em si é semelhante a saga mitológica de Andromeda, a heroína oferecida como um sacrifício para os deuses do mar, retratando a donzela em perigo.
O Bondage é representado na arte em um número infindável de vezes e algumas vezes em grande estilo BDSM, John Willie, criador da revista Bizarre Magazine, incluiu desenhos e fotografias profissionais em suas obras, utilizando modelos femininos em cenas de bondage ou sado-masoquista. Gwendoline Doce foi a sua principal personagem feminina nas suas obras publicadas em grande parte na década de 1950 e 60, possivelmente o ícone mais famoso, a donzela loira e ingênua em apuros.
Na década de 70, o Bondage recebeu um breve impulso na mídia com o livro de Alex Comfort, The Joy of Sex, um manual de sexo ilustrado. Outra publicação que contribuiu para a popularização do Bondage, foi  o livro de Madonna, Sex, que incluiu fotografias de nus encadernados, na qual a autora fez grande esforço para melhorar a consciência pública sobre a aceitação da escravidão.
No cinema encontramos o Bondage em cenas de alguns filmes, de forma mais sutil como A Bela da Tarde, e Nove Semanas e Meia de Amor, de forma mais drástica, Vivendo no Cativeiro, Encaixotando Helena e outros.
Na década de 1990, há referências à escravidão ebondage nas séries de televisão, como Buffy, quando algemas, colares e palavra de segurança foram incluídas como questão de disciplina.
A Reivindicação de Bela Adormecida, uma trilogia erótica publicado na década de 1980 por Anne Rice, continha cenários bondage, como parte de uma ampla atividade de práticas do BDSM.
Outros exemplos são, A História de "O" de Pauline Réage,  livros de Frank E. Campbell e  Robert Bishop.
O Bondage por ser amplo é  tem apelo sexual para pessoas de ambos os sexos e de todas as orientações sexuais, em qualquer uma das variantes existem os dominantes e os submissos. Permite também, o auto-cativeiro, bem mais complexo, mas requer o suo de técnicas especiais para aplicar o cativeiro a si mesmo e para efetuar a libertação. A auto-escravidão. sumamente arriscada, especialmente porque viola um dos princípios importantes de segurança, deixar uma pessoa sob retenção sozinha, nos casos de crises, sufocamento, enforcamento, doenças cardiovasculares ou situação de emergência, a auto-escravidão pode se tornar letal, um exemplo recente, foi o ator David Carradine, achado morto num quarto de hotel tailandês, uma corda estava presa em torno do seu pescoço e uma outra em seu órgão sexual, as duas estavam ligadas uma à outra e penduradas no alto de um armário.

O BONDAGE NO BDSM

Para o BDSM, o bondage assume proporções bem maiores do que o simples apimentamento da relação e se torna por si, a fonte de prazer dos envolvidos. O prazer toma formas no ato da retenção, nos instrumentos usados, no jeito e no tem de imobilização, nas marcas proporcionada no corpo do imobilizados, muito mais do que na relação sexual possivelmente oriunda dele, sem necessidade de ser consumada e opção entre os envolvidos. Ainda é necessário observar as regras básicas do "código" SSC, ou, Sadio, Seguro e Consensual, como forma de prevenção, segurança física e psicológica e a fim de evitar abusos.
Por isso, o bondage requer a adoção de regras:
- Faz-se uso da "palavra de segurança", conhecida também por "safeword", ou alguma forma clara para indicar problemas reais, desistência, o limite alcançado pela parte imobilizada.
- Nunca deixar uma pessoa imobilizada sozinha.
- Evitar posições de retenções e imobilizações que possam induzir a asfixia.
- Proceder a mudança de posições das imobilizações, para evitar problemas de circulação sanguínea.
- Estar seguro que a liberação será rápida em caso de emergência.
- Evitar amarrações que prejudicam a respiração.
- Evitar o bloqueio com liberação difícil da boca e do nariz, devido aos riscos por asfixia em caso vômitos.
 - A sobriedade é imprescindível, o uso de alcool e drogas deve ser evitado, melhor se abolido.
- A consciência do imobilizado deve ser preservada,
- Observar o corpo do imobilizado, atentando-se para a cor, inchaços, friezas e dormências, isso sinaliza o  mau desempenho de nervos e circulação sanguínea e oxigenação dos músculos e pele. Detendo-se principalmente as extremidades.
- Se a cena inclui o amordaçamento e a impossibilidade da fala, deve ser combinado uma forma não verbal de comunicação.
- O imobilizado pode querer ultrapassar o seu limite e não fazer uso da palavra ou sinal de segurança, tonturas, desmaios e situações similares deve indicar o fim da encenação.
- Instrumentos para a liberação rápida debem estar disponíveis, exemplo, as  tesouras EMT. Se cadeados e correntes, as chaves devem estar ao alcance mínimo do imobilizador.
 Fotograficamente e visualmente, as cenas retratadas em imagens e vídeos são escolhidas pelo apelo visual, muitas vezes essas posições são perigosas e não podem ser prolongadas por mais do que alguns minutos, muitas vezes, não podem ser construídas sem preparo necessário, como apoios escondidos das lentes, ou seja, não tente faze-las em casa. Suspensão pelos punhos e tornozelos podem causar lesões sérias, em alguns casos podem ser encenados com razoáveis resultados, mas é necessário uma boa forma física e experiencia.
A variedade de instrumentos para imobilizações é enorme, os mais comuns são cordas, fios e correntes, mas há quem use filmes de pvc, papel, fitas de tecidos, fitas adesivas, tiras de tecidos, etc, é uma questão de fantasia, de momento e de escolha, a imobilização pode ir de um simples nó nos punhos ou amarrá-los à guarda da cama, ao um meio mais complexo de mumificação. Depende do desejo dos envolvidos!
Este é o terceiro artigo que escrevo sobre o BDSM e o bondage envolve outro estilos, os orientais, na minha opinião, os mais belos, tal é a beleza e plástica do conjunto de nós e cordas e farei um artigo específico sobre eles, o Shibari, o Kinbaku ou Sokubaku.

BDSM: Shibari

por: Lena Lopez

Shibari, traduzido literalmente “amarrar”, também conhecido por Kinbaku ou Sokuboku,  é a arte japonesa da amarração com cordas. Pode ser simétrica (proporcional e igual) ou assimétrica (sem comprometimento  com igualdade e proporcionalidade), possui apelo na restrição dos movimentos e estético pela beleza dos nós, cores e forma de amarração.

ORIGEM

Há muitos mitos e lendas em torno da origem do Shibari, muitas informações que encontramos a respeito são conflitantes, alguns sustentam a sua origem no "hojo-jutsu", na Era Edo (1600DC).

O hojo-jutsu é parte integrante ou alguns dos golpes utilizados pelos Samurais e se fez presente em diversas artes marciais na antiguidade japonesa. Geralmente eram técnicas de imobilizações sem nós, levadas a cabo com o Sageo, a corda que está presa ao Saya de um Katana. 
A corda era  largamente utilizada, para segurar a sela (Kura Gatame), arrear o cavalo (Shiba Tsunagi) e para amarrar prisioneiros (Tori Nawa).

O hojo-jutso ou habilidade de imobilizar com cordas, é uma prática feudal japonesa, utilizada para prender com eficácia os prisioneiros, sem matá-los, para que colaborassem, com informações ou até para aguardar o seu julgamento. Foi amplamente utilizada até pelos soldados japoneses, supervisionados pelos samurais.
Era uma técnica interessante, na qual a forma de amarração demonstrava o crime cometido e a posição social do criminoso, as cores das coradas utilizadas também denunciavam as atitudes dos delinquentes.
Ser imobilizado ou amarrado naquela época era uma grande desonra e humilhação, muitos das se suicidavam antes que isso acontecesse, se tivessem oportunidade.

Provavelmente o Shibari herdou técnicas dessa arte, mas com um propósito totalmente diferente, seja ou não, de início, devido à cultura da antiguidade japonesa, ter ele um caráter não-consensual, consistindo numa prática de agressão contra a mulher, não deixou de ser uma arte erótica e ter apelo sexual.

As primeiras citações que se tem do shibari contam do século XVII, no Shogunato Tokugawa (ditadura militar feudal estabelecida no Japão em 1603 por Tokugawa Ieyasu e governada pelos shoguns da família Tokugawa até 1868) que, em decorrência da religião dominante e da situação social da época, a maioria das escolas importantes entraram em declínio. Foi uma época dificil na história japonesa, quando para se manter o controle da sociedade não se fazia uso de escrúpulos e os governantes apenas desejavam mais poder, mais dinheiro e mais mulheres.
Homens da classe social privilegiada, passaram a sequestrar as mulheres que desejavam e as amarravam nuas em posições humilhantes, para se servirem delas ou para que servissem, em tais condições, como modelos para pinturas,  isso os excitavam e era contemplado por muitos outros homens. A compilação dessas gravuras pornográficas, formou uma pinacoteca e foi batizada de “Komon Sarachi Shibari“, extremamente apreciada na época.
Destarte, também há muitas histórias sustentando que os samurais invadiam regiões rurais, residências desconhecidas ou de inimigos e amarravam mulheres em posições eróticas para sua satisfação sexual, mas isso não é detentor de provas absolutas, mas mitos e lendas, passadas de geração em geração.
As amarrações utilizadas pelos samurais, conforme a lenda, eram semelhantes àquelas utilizadas em prisioneiros criminosos, trazidas pelo Hojo-jutsu.
Pode-se afirmar que o shibari não é uma ramificação ou descendente do hojo-jutso, mas uma forma de arte erótica baseada em algumas das técnicas com cordas, que eram amplamente divulgadas e ensinadas nas escolas do Japão Antigo, com propósitos totalmente diferentes.

SHIBARI E BDSM

Não é possível entender qual a ligação das amarrações e imobilizações com o BDSM, sem antes estudar o Shibari e o Bondage. Em um primeiro momento, pergunta-se por que o bondage faz parte da sigla e onde está a dor e humilhação, entre pessoas dispostas a nós complicados e um tempo muitas vezes longo. Mas, se bem analisarmos, o Shibari e o Bondage, é uma forma de controle absoluto sobre uma pessoa submissa ou um escravo.
Como já vimos acima, históricamente o Shibari, tem vertentes nos motivos sádicos dos japoneses, que dominavam a sociedade na época e se deleitavam ao verem mulheres nuas, amarradas, violadas e humilhadas.
Desta forma, o Shibari é uma técnica que leva em consideração o poder do Dono sobre seu submisso ou escravo, em conjunto com a sua habilidade na arte de imobilizar e o estudo que detém. Definitivamente, não é uma prática para qualquer um, necessita de muito conhecimento e empenho. De outro modo, exige da parte submissa, paciência, preparo e dedicação, uma vez que, dependendo da técnica usada, requer um longo período de tempo para a realização da imobilização.
Ao contrário da época em que o Shibari se originou, hoje ele é totalmente consensual e obedece as regras do SSC (sadio, seguro e consensual).

O PRAZER

A maior preocupação do Shibari é com a segurança, pois se mal executadas as amarrações podem provocar lesões graves aos nervos, vasos e tendões. As cordas, se possível devem ser de fibras naturais, com no mínimo seis milímetros de diâmetro, para evitar machucaduras e feitas de juta, cânhamo ou algodão, o comprimento geralmente é de sete metros. 
O praticante do shibari deve se preocupar, com o prazer que provocará à pessoa que está sendo imobilizada, através do toque das cordas em seu corpo. A análise do corpo por parte do imobilizador, os toques e  atenção, são de suma importância para a satisfação, uma vez que, este conhecimento é o que determina, a utilização dos pontos mais sensíveis do corpo do imobilizado, a lhe causarem excitação durante a prática, favorecendo-lhe o florescer do prazer.
As cordas devem se transformar numa extensão das mãos do imobilizador, possibilitando a este a sensibilidade necessária para a boa realização da imobilização, provendo o deleite das sensações, ao tocarem o corpo do imobilizado.
A alteração dos sentidos é notável, provocado pela tensão das cordas sobre o corpo e mais ainda se não há possibilidades de movimentos. O prazer é garantido através das contorções, atrito das cordas e da tensão muscular.
Finalmente, a contemplação final e a satisfação da realização plena, são capazes de causar uma sensação simbiótica de prazer entre os envolvidos.

BDSM: FemDom & LezDom, a Dominação Feminina

por: Lena Lopez 

DOMINAÇÃO FEMININA NA HISTÓRIA

No período da pré-história, a sociedade ou os embriões desta, adotavam um sistema matriarcal de organização, as tribos dos nossos antepassados tinham como líder uma mulher, os homens eram naturalmente subordinados à ela, o sexo feminino era dominante naquele tempo. A supremacia feminina residia na adoração e idolatria da capacidade de fertilidade e de assegurar a continuidade da espécie. Diferente dos tempos atuais, as mulheres exibiam com orgulho o sangue menstrual, simbolizando a sua fertilidade e que delas eles dependiam para poderem procriar. De outro modo, a exibição durante o ciclo menstrual, mostrava ao homem pré-histórico, que ele deveria tolerar com submissão as flutuações do humor feminino. Essas características da sociedade nascente, dava às mulheres o respeito necessário, muitas vezes às elevando ao status de deusas. 
Nos tempos mitológicos da Grecia Antiga, associado a diversas lendas de diversos povos antigos, surgiu o mito das Amazonas, que teriam vivido na região do Ponto, atual Turquia, próximo ao mar Negro. Formavam um reino independente, sob o governo de uma rainha e a primeira teria se chamado Hipólita (indomada). Heródoto as chamou de Androktones ou matadoras de homens, afirmando que no idioma "cita" (lingua falada pelos povos antigos do Leste Europeu à Mongólia) elas eram chamadas de Oiorpata, com o mesmo significado. Nenhum homem podia ter relações sexuais, ou viver em comunidade com elas, porém uma vez por ano, por motivos de preservação da raça, as amazonas visitavam os gargáreos, uma tribo vizinha, mantinham relações sexuais com homens por elas escolhidos e retornavam ao Reino Amazona. As crianças do sexo masculino que nasciam destas relações eram mortas e enviadas de volta para os seus pais ou expostas à natureza, as crianças do sexo feminino eram mantidas e criadas por suas mães, treinadas em práticas agrícolas, na caça e nas artes da guerra. Algumas versões do mito contam que uma vez por ano, as Amazonas raptavam homens de tribos vizinhas, mantinham relações sexuais e logo depois os imolavam às suas deusas.
Outro relato mitológico conta a história de "Ayesha", A Feiticeira Branca", que governava o povo Amahagger, no interior da África, o reino perdido de Kôr. Governados com tirania pela terrível rainha branca, a qual eles se referiam como Ela, os Amahagger sacrificavam os intrusos, em um ritual de canibalismo, desde que não estivessem sobre a proteção de Ela. Ayesha, cuja beleza era capaz de hipnotizar a todos os homens, vivia a dois mil anos em Kôr, aguardando a reencarnação de seu antigo amor, Kallikrates, a quem ela havia assassinado em um acesso de ciúmes. Ayesha acredita que um dos intrusos capturados era a reencarnação de Kallikrates e, portanto, deseja que ele se torne imortal e viva com ela para toda eternidade. Entrentanto, inadvertidamente, querendo dotar seu amado de vida eterna, a rainha acaba por desfazer o seu próprio encanto sobre si, e com isso termina morrendo horrivelmente. Antes de desaparecer, porém, Ayesha declara: - Eu não morri. Eu retornarei!
Durante a Idade Média, a liberdade religiosa, intelectual e principalmente sexual, foram vítimas da repressão executada pela igreja, tornando criminosos ou pecaminosos os prazeres físicos da carne e do pensamento. Aparece então, a figura do "sucubus" a versão primitiva da femme fatale, que mantém relações sexuais com homens enquanto dormiam, capturando suas almas para o Diabo. Várias mulheres foram acusadas de deter este poder, ou seja, tranformar-se em succubus durante a noite e condenadas à fogueira pela Inquisição, ao mesmo tempo, a igreja teve um extremo cuidado que não caçar sucubus e bruxas entre as senhoras da nobreza e realeza. No ano 1030 a rainha Constanza convenceu a igreja que seus pecados de luxúria e promiscuidade poderiam ser pagos se fosse pessoalmente castigada com rigor. sobre ela, O Chatre escreveu: "- Aquela luxuriante jovem sádica de tão linda, não satisfeita em ter sido mostrada como juíza implacável, também quis executar pessoalmente o papel do executor, obrigou os padres a assegurar para o resto de seu tribunal, que os mais excessivos castigos que ela se aplicou, seriam compensados em sua maioria na frente de Deus, seus próprios pecados e seus crimes acalmam sua luxúria insaciável. Com suas próprias mãos explodiu os olhos de várias jovens italianas convertidas nas doutrinas de Manés. Com pinças em chamas torturou seus tóraxes, estômagos e sexos até mutilando-os. Tomando o cuidado de não matar suas vítimas por causa de tanta tortura, ordenava que fossem levados dali, aqueles corpos em chamas. Enquanto ela olhava as contorções e gritos das suas vítimas, ela entrou em transe erótico que a levou ao êxtase".
Relatos e exemplos de mulheres dominadoras na história são inúmeros, seja pela tirania, pela personalidade, pela força que demonstram, pela astúcia ou pelo poder de sedução que elas detinham, como Cleópatra, as Mulheres Tchecas, Salomé, Dalila, Judite, Esther, Phillys, Catarina de Médicis, a nazista Ilse Koch, Mademoiselle Lambercier, Catarina a Grande, Crhistinne Keller do caso Profumo em 1956, e outras tantas.

DOMINAÇÃO FEMININA NO BDSM

O FemDom e o LezDom é uma derivação das tendencias do BDSM e que se reporta à dominação exercida por mulheres.

FEMDOM

O FemDom (Female Domination ou Fêmea Dominante), de forma geral é a dominação exercida por uma mulher, sobre outra pessoa, seja do sexo feminio ou do sexo masculino.
Infelizmente as fontes sobre este assunto são excassas, na internet encontramos muitos materias, mas a grande maioria é sensacionalista e voltado exclusivamente à pornografia crua. Os sites e blogs voltados ao assunto ou propriedade de mulheres dominadoras, geralmente se propõem à demonstrar as suas práticas, mas dificilmente falam e levam a um esclarecimento sobre o que é realmente a Dominação Feminina. Por isso, resolvi trazer um depoimento de uma Dominadora, a Senhora Lúcifer, do blog Lilith Senhora Lúcifer:
"- Antes de ser Dominadora, eu sou uma mulher que gosta das mesmas coisas que as outras e o fato de ser Domme não me torna mal educada, mal humorada ou grossa, por que tenho prazer em ser o que sou, muitos confundem os dominadores com pessoas sem sentimentos, arrogantes, ignorantes e afins. Mas ser Dominadora, exige no mínimo um pouco de educação, inteligência, conhecimento sobre o assunto, malícia, sagacidade e por isso que nós Dominadores temos que ser responsáveis para conduzir a vida de nossos submissos, que nos entregou em um ato de amor e devoção.
Dentro dessa condição escolhi ser Domme? Não, nasci Dominadora e acho que todos nascem com uma posição e me descobri muito cedo como Domme, talvez seja por ser muito maliciosa ou uma pessoa fria e com grande controle emocional, acabei usando de uma forma saudável dentro do BDSM.
Meu prazer dentro do BDSM é ter o domínio físico, psicológico e emocional e cade um destes domínios age de uma forma diferente no meu prazer. Dentro deste contexto o Dominador é um submisso, que cede aos desejos de seus submissos pelo prazer "de ter" e "dar" o prazer, nas  três formas que os dominamos. O domínio físico é ter o prazer da entrega de seu corpo para ser dominado ao bel prazer de seus donos e o meu prazer é usar este corpo, para minha total satisfação, aonde dou e tenho o prazer sádico e sexual. Ter a dor deste submisso, que faz tudo por você, se entrega para que tenha prazer e que coloca os nossos desejos acima de seus, é um dos maiores prazeres que eu tenho. Sua entrega psicológica, aonde aceita tudo o que vem de você e ainda escolhe ser preso, mesmo sendo livre, por devoção, é uma forma de amor incondicional e prazerosa de dominar. 
O emocional na dominação é o amor transparente que temos dentro do BDSM, por ser um amor que aceita os seus defeitos, qualidades e ainda te serve. O relacionamento dentro do BDSM é puro e transparente, por ser uma forma aonde não existe reservas e o que temos é uma entrega, aonde a pessoa expõe suas franquezas, limites, defeitos sem se preocupar com as convenções e não conheço nada mais livre que a Dominação e Submissão, de duas pessoas que buscam o prazer sem limites físicos, psicológicos e emocionais e essa entrega é o que me dá prazer. 
Cuidar do submisso com a certeza de que a mesma mão que bate e tortura, é a mesma que protege e cuida. Admiro e respeito todos os submissos, que mesmo sendo livres, escolhoram estar preso e se submeterem aos seus donos, entregando-se, doando-se, para serem livres na escolha de sentir e amar. 
Está em nossas almas, corações e corpos, dominar e ser dominado por prazer."
Diante do depoimento da Senhora Lúcifer, fica claro e explícito o espírito que move a Dominação Feminina dentro do mundo do BDSM. Sem querer diminuir a dominação exercidas por homens, arrisco-me a dizer que, a Dominação Feminina, como em todas atividades diárias que envolve as nossas vidas, carrega um algo a mais, uma paixão, a qual somente as mulheres são capazes de possibilitar, devido as suas características e personalidade, incluindo a doçura e a face amorosa, quando não, maternais, nas relações entre dominadoras e submissos ou submissas.
No Universo BDSM, quase sempre são adotados títulos ou nomenclaturas que definem o perfil de uma pessoa, neste caso, de uma mulher dominadora, ou seja, podem indicar as suas preferências, levando em conta as complexidades que diferenciam os títulos, são os mais comuns:
- Deusa: É uma Dominadora que gosta de adoração sobre si como o objetivo de veneração, física, psicológica e até espiritual, por parte do dominado.
- Dominadora: sua preferência pode estar ligada diretamente as relações D/s (Dominação/submissão), a essência do relacionamento, associando o título aos jogos de controle, nos aspectos físicos e emocionais.
- Dominatrix: É aquela que para desenvolver a pratica da dominação, ela é tributada, cobrando taxas por sessões, com valores estipulados. O título não associa-se à prostituição, mas é frequentemente utilizada por mulheres profissionais do sexo.
- Domme: Dominadora que prefere as práticas sádicas. Geralmente as atividades de dominação são dotadas de práticas que causam dor e sofrimento físico e psicologico no dominado. Associa-se diretamente ao sadomasoquismo.
- Lady: Sofisticação é a sua palavra de ordem, as praticas são elaboradas com requinte e possui grande envolvimento pessoal com o submisso.
- Mistress/Mestra:  Estudiosa do BDSM e conhecedora dos fetiches, estando eles entre as suas preferência sou não, tanto na prática como teoricamente. Entre elas encontra-se as dominadoras dispostas a ensinar e passar conhecimentos.
- Rainha: Geralmente são dominadoras voltadas à podolatria, gosta da veneração sobre seus pés ou a seus pés.
É bom lembrar que os títulos são apenas nomes, adotados para ilustrar uma personalidade dominadora e diferenciá-la das personalidades submissas. A adoção deles não segue uma regras, apenas razões de preferência. Assim poderemos encontrar uma "Lady" extremamente despreocupada com a sofisticação e uma "Mistress", longe de ser uma expert, apenas uma iniciante.
Além dos títulos acima citados exitem muitos outros, como Senhora (a minha convidada para este artigo, por exemplo), Madame, Madam, Dona, Mademoiselle, Demoiselle, Miss, Dama, Dame, Maîtresse e outros.

LEZDOM

LezDom (sigla adotada do esloveno lezbijka dominacija, por isso o "z", mas não confirmado) ou em inglês Lesbian Domination e em português Dominação Lésbica ou Lésbica Dominante, é a dominação exercida por uma mulher sobre outra. 
Geralmente a exploração da indústria porno-erótica, a dominação lésbica  que encontramos por aí, na grande maioria, é voltada para a saciedade das fantasias masculinas, personificadas por atrizes e modelos que em nada tem a ver com o BDSM, além disso são produzidas e dirigidas por homens, ou seja, produções feitas por homens para serem assistidos por outros homens. Seguindo uma amostragem de estereótipos e estética, voltados ao fetichismo masculino. Desde a escolha dos elementos para criar o fetichismo, os corpos femininos torneados e os seios siliconados, o aspecto artístico, a fotografia, deixam a impressão que o público alvo é totalmente masculino. Ainda, o conteúdo vai de encontro muito mais à pornografia do que a qualquer outra coisa. O material disponível para apreciação visual é uma relação LezDom para homem ver e satisfazer as suas fantasias. Exceções existem, mas a industria pornografica LezDom está aí para ser consumida por ambos os lados
Lembre-mos que há no mercado, Dominadoras (se é que podemos assim denominá-las) que se valem do BDSM para fazer dele o seu meio de subsistência, isto é, dominam por dinheiro, ou se preferirem, sejamos claros, se prostituem. Não quero aqui condená-las, cada um sabe da sua vida e ganha o seu dinheiro como quiser, se existem é por que existe quem pague e também, proporcionar fantasias, não é crime, mas o é dedicar-lhes preconceito.
Hoje em dia, o advento da cultura BDSM, trouxe também a moda ser Sado-Masoquista, isto é, virou moda ser Dominador ou Submissa, algo que eu acredito ser como qualquer cultura sem base, que vem, dá o seu recado, cai no esquecimento e deixa que os elementos autênticos retomem os seus lugares. Querendo ou não, gostando ou não, este fenômeno trás vantagens e desvantagens. As desvantagens é a poluição do meio e a prática vulgar, a vantagem é a eliminação gradual do preconceito. Isso acontece notadamente com os ritmos musicais, que de uma hora para outra, deixam de ser algo detestável pela maioria e cai na boca do povo. O sertanejo por exemplo, deixou de ser um ritmo interiorizado, para ser uma mania nacional, até internacional e desde que foi assumido pelas primeiras duplas, que o tiraram da moda de viola, vinculando-o às guitarras, à cultura cowboy e country norte-americana, mesmo assim, vem sofrendo metamorfoses, hoje já é sertanejo universitário (que em nada lembra as origens, mas a disposição dos flashs, luzes e efeitos especiais) porém, a moda de viola do interior, continua sendo o sertanejo autêntico e as suas origens ninguém muda, quem quiser conhecer, elas estão lá, esquecidas no interior, de Goiás, São Paulo, Mato Grosso, mas vivas.
Longe dos flashs, lentes e câmeras, existe uma diferença enorme entre a Dominação Feminina para submissos e submissas. Apesar que o conhecimento de causa é um dos meus problemas, pois nunca tive efetivamente uma submissa sob meu pleno domínio e independente do grau de dominação ou submissão das partes, percebe-se uma certa leveza, romantismo e erotismo, acrescido de psicologismo, nas cenas LezDom, ou seja as Dommes e submissas estão mais ligadas afetivamente e sexualmente, mas suas relações são mais fortalecidas na dominação e submissão psicológida do que em qualquer outro envolvimento D/s, talvez pelos sentimentos femininos de ambas as partes envolvidos na cena. Diferente disso, são as cenas montadas pela indústria porno, que possuem o objetivo único de proporcionar tesão ao assistente.
Voltando ao assunto principal, fácil de explicar ou não, nota-se que o relacionamento BDSM entre Dominadoras e submissas, possui um alto grau de cumplicidade, uma entrega, que chega a impressionar pela devoção, erotismo e sexo, que vai além deste. A Dominação é subjetiva e nem tanto explícita, mas não deixa de ser erótica e sexy. Falando da questão, torna-se desgradável o termo humilhação, pois na grande maioria dos casos, é um ato sublime de entrega da submissa para a Dominadora, que pode-se entendendida por disciplina.
Durante toda a minha vida tive reservas ao BDSM e quanto mais a relação LezDom, talvez pela minha opção sexual, sou uma mulher bissexual e sempre achei que entre mulheres o carinho e o respeito devem servir como base da relação, mas por falta de oportunidades, não tinha ainda formado uma opinião a respeito. Acreditem ou não, a reserva que eu tinha, foi afastada depois que presenciei apenas uma cena de LezDom e que por duas vezes me envolvi, provando as sensações desse tipo de relação, uma vez como Domme e outra como sub. Sempre achei um absurdo a subjugação de mulheres, mesmo que sexualmente. As minhas três experiencias me provaram que no LezDom é bem diferente, ficando a relação longe de qualquer grosseirimo e agressividade. A aspereza é trocada pela sensualidade e o domínio e a subjugação se transforma em uma conquista psicológica de ambas as partes. Acredito eu, que das relações D/s, a relação LezDom é a de maior sensibilidade
Eu espero ter me expressado com clareza e colocado a minha opinião de forma objetiva pra me fazer entender, convém lembrar que sites para pesquisas sérias na Internet, sobre este tema são dificeis de encontrar e a maioria das Dominadorass são muito restritas e de difícil aproximação, felizmente tive oportunidade de conviver com uma delas quando residi na Espanha, uma Dominadora Lésbica, que concordou esclarecer-me algumas dúvidas e responder algumas questões. Também fui buscar subsídios em algumas revistas e livros.
Como complemento à relação LezDom, deixo o conto "A Lua", um exemplo maravilhoso de relacionamento LezDom, repleto de erotismo e sensualidade. Tenho certeza que os apreciadores de contos BDSM irão gostar.
A LUA
À luz da lua cheia que ousada invadia a escuridão do quarto, Anna acariciava os cabelos de Maria, que repousava num sono profundo aninhada com a cabeça junto aos seus seios. E enquanto acariciava, observava as marcas no corpo de Maria. Num gesto quase que instintivo levou os dedos àquelas marcas sem tocar, tocando. E uma lágrima escorreu pela face lembrando as palavras dela:
- Eu preciso sentir dor. Dor, para amenizar a minha dor. Uma dor intensa de ter que acordar todos os dias, levantar e levar esta vida vazia… Quanto mais sofro, menos sinto.
Aquilo era meio absurdo para ela, que apesar de todos os pesares que a vida lhe causou, seguia firme e sempre adiante. Cheia de marcas, é verdade, não na carne, mas na alma. Talvez fosse melhor ser como Maria, e ter a dor cessada, mesmo que por instantes através da dor externa, do castigo, da dor impingida por outrem. Sadismo e masoquismo psicológico, que se completa, que faz da cena o divã do analista, do ato de impingir e submeter-se à dor, uma expiação.
O recado na caixa-postal do celular denunciava o desespero da amiga: “Preciso falar com você, me liga!”. Anna ligou, mas não teve resposta, o que deu nela uma grande angústia. Veio à sua mente o pior. Pegou as chaves do carro e em pouco tempo estava à porta da casa, apertando o interfone. Uma, duas, três vezes até obter resposta. Uma voz chorosa, mas que reconhecendo a voz da amiga abriu o portão. Anna foi recepcionada por Puck, o labrador de Maria, que parecia ansioso em conduzi-la o mais rápido possível para dentro de casa pela porta entreaberta.
Ao abrir, Anna viu a amiga nua esparramada no chão, chorando, entre fotos e mais fotos. Uma vida em imagens. Pequena na escola, na primeira comunhão, com o namoradinho da adolescência, de vestido de noiva, na lua-de-mel com o ex-marido… E quando viu a lamina da faca afiada brilhando no sofá, entendeu de imediato a intenção de Maria. Correu para perto dela e tirou aquele objeto de perto dela. Foi então que viu as coxas ensangüentadas, pequenos cortes que escorriam filetes de sangue, sangue que escorria e sujava as fotos.
- Você está louca Maria? Queria se matar? – disse gritando com a amiga, segurando-a pelos cabelos, forçando-a a olhar em seus olhos.
- Não! – ela gritou desesperada entre as lágrimas – Eu não quero morrer, mas preciso sentir dor. Eu preciso sentir dor. Dor, para amenizar a minha dor. Uma dor intensa de ter que acordar todos os dias, levantar e levar esta vida vazia… Quanto mais sofro, menos sinto.
E dizendo isso caiu num choro convulsivo, estremecendo todo o corpo. Ela estava em crise e precisava acordar. Foi então que num gesto rápido, enquanto com a mão esquerda a segurava pelos cabelos, com a mão direita deu dois tapas fortes em sua face. Tirando-a do surto, trazendo-a de volta ao mundo real. Ela olhou para a amiga assustada e levou a mão a própria face, quente pelo estalo da bofetada. Nada disse ficou quieta, com as lágrimas ainda escorrendo, mas agora sem soluços. Anna soltou seu cabelo, ajoelhou-se diante dela e beijou sua face, suas lágrimas, seus olhos, boca… Envolveu o corpo da amiga em um abraço terno. O beijo na boca não tinha volúpia, era cuidado. Por muito tempo ficaram ali, abraçadas, sem dizer nada. Só aconchegadas nos braços uma da outra. E quando Maria ficou mais calma, a outra se levantou e foi até o banheiro pegar anti-séptico para desinfetar e tratar os cortes da auto-flagelação da amiga.
Depois de tratada, Maria contou em detalhes seu sofrimento, mais uma vez falou da vida, das sucessivas desilusões, da culpa pelo casamento não ter dado certo, dos pais negligentes e novamente falou da dor. Uma dor interna que só passa com a dor externa. E começou a detalhar o sofrimento de ser como era. Foi quando Anna calou a amiga com um dedo em sua boca. Olhou-a profundamente em seus olhos e disse:
- Já experimentou aliar a dor ao prazer? – e viu uma grande interrogação se formar na expressão da amiga, mas continuou aproximando o corpo da outra, forçando uma intimidade invasiva. Intimidade que se consolidava com as mãos acariciando e tocando o corpo da amiga.
- Não é possível ter prazer na dor Anna. Aliás, eu nem acredito em prazer, nunca tive um orgasmo senão os que eu mesma estimulei através da masturbação – e baixou o olhar envergonhado.
Anna então deitou o corpo da outra na cama, que sem resistência acatava todos os comandos, mudamente. E enquanto beijava-lhe a boca, com as pontas dos dedos buscava os mamilos rijos de Maria, que entregava seu corpo sem reservas. E quanto mais sentia a entrega, mais fazia pressão com os dedos, as pontas das unhas, até sentir um gemido abafado pelo beijo. Neste instante, soltou o mamilo e fez o mesmo com o outro que ficara livre até obter a mesma reação.
- Doeu? – Anna perguntou com um olhar enigmático e respiração ofegante.
- S.. sim, mas… Eu gostei! – disse tímida – Acho que melei entre as pernas.
E dizendo isso recebeu um tapa estalado na face, dessa vez não tão forte quanto o da sala, mas que a colocou em alerta, sem saber o que tinha feito de errado. A amiga percebeu o olhar interrogativo e completou:
- Quem te mandou gozar, putinha?! Ainda não…
Provocando uma sensação estranha em Maria, um tesão que parecia invadi-la de dentro para fora, queimando seu corpo até afoguear a face e enrubescê-la. Ser chamada de puta pela amiga provocou uma sensação contraditória dentro dela, que aliada a dor que quase a levou ao gozo a deixava confusa, mas excitada.
Anna então levantou da cama. E lentamente começou a despir-se. Já tinha visto a amiga nua muitas vezes, mas nunca foi tão erótico vê-la despir peça a peça. Ela não tirava o olhar dela enquanto desnudava-se, olhava diretamente em seus olhos, seios, umbigo, púbis. Quando viu o olhar dela fixo em sua xota, mais uma vez sentiu melar e instintivamente apertou a mão entre as pernas. Foi quando viu que a amiga, já completamente nua, puxou-a pelas pernas na cama, trazendo-a para bem perto de si e tirou a mão de onde estava. E bem baixinho disse em seu ouvido.
- Será que terei de amarrá-la pra você aprender que eu disse ainda não?!
As palavras dela, sempre tão firmes, mas ao mesmo tempo delicadas, enchiam-na de tesão. Sem perceber fechou os olhos e deu um suspiro. Sentiu que a outra se levantava e começava a procurar alguma coisa no guarda roupa.
- O que você quer Anna? – tentando ajudar.
- Cala a boca, e feche os olhos, eu me viro… – foi a resposta seca da amiga, mas como já havia entrado no jogo de comando dela, acatou sem dizer mais nada.
Anna recostou-se por trás dela, roçando os seios em suas costas, roçando seus longos pelos nela. Sentia o corpo estremecer. De repente, ainda com os olhos fechados, sentiu que um lenço era amarrado sobre seus olhos, deixando-a num breu total. Aquilo a assustava ao mesmo tempo em que ficava cada vez mais excitada, mas confiava tanto na amiga… Que se deixava levar. Aos poucos teve os punhos e tornozelos atados por algo que parecias lenços, ou echarpes de seda, sendo amarrada em X na cama. Percebia a amiga sair e voltar ao quarto. Aquilo dava uma sensação estranha, um desconforto absurdo que começava a incomodá-la. Era horrível não saber o que estava acontecendo e então perguntou:
- O que está fazendo Anna? – e recebeu outro estalo leve na face, que mais uma vez a excitou, entendeu perfeitamente quem estava no comando e não a questionaria mais. Ficou angustiada, mas percebendo cada som, cada aroma.
Sentiu então algo gelado em seus mamilos, devia ser gelo, sentiu o corpo arrepiar. Anna não dizia nada. Havia colocado um CD de música celta para tocar. O som das gaitas de fole ia enchendo-a cada vez mais de tesão. Sentindo o gelo passear pelos seus mamilos hora um, hora outro. A ponto de ficarem dormentes, sentiu que algo foi colocado neles, mas não sabia o que. Continuou apenas percebendo, sentindo o que Anna fazia em seu corpo. Passou gelo em seu clitóris, arrepiando-a uma vez mais.
À medida que os mamilos iam voltando à temperatura ambiente e um desconforto maior ia provocando uma dorzinha constante neles, já não conseguia bem entender de onde ou o que lhe provocava mais desconforto, a dor nos mamilos ou o gelo no clitóris. Sentiu então os dedos dela abrindo-lhe os grandes lábios, até suavemente tocá-la com os próprios lábios. Sentiu a região aquecer aos poucos pelo calor daquela boca, o prazer ia crescendo enquanto era mamada por aquela boca. O corpo contorcia de prazer e quando pensava que estava prestes a gozar a amiga uma vez mais vinha com o gelo que apagava seu fogo. Aquela sensação de quase lá a enlouquecia, ao mesmo tempo em que seus mamilos doíam e incomodavam até quase não agüentar. No entanto, não tinha coragem de pedir que fosse retirado, o que quer que fosse de seus mamilos. Agüentava, submetia-se àquela dor.
E quando Maria pensava que já estava terminando, ela saía, mas voltava com outra coisa. Sentiu cheiro de algo queimando, parecia o cheiro da vela aromatizada que enfeitava a sala, presente da própria Anna. Imaginar o que Anna podia fazer com a vela deu um desespero, por outro lado, era mais forte que ela a excitação e o desejo de saber qual seria o próximo passo. E então, sem aviso, recebeu algo quente em sua barriga, escorrendo e endurecendo. Deu um grito. Não acreditava que ela havia feito isso, derramado cera quente em seu corpo. Ouviu a amiga falar bem pertinho de seu ouvido:
- Shhhhhhh… Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo – e curiosamente sentia que ela realmente sabia. Afinal, havia dor, mas havia uma sensação de libertação naquela dor.
Anna tirou o que prendia seus mamilos e a dor ao invés de aliviar ficou mais aguda. Gritou novamente. E sentiu os lábios dela calando os seus num beijo intenso, sentia a respiração dela ofegante, como a sua, como se a sua dor a excitasse. E mesmo contorcendo-se de dor diante do simples toque dela em seu mamilo, excitava-se cada vez mais com tudo o que acontecia. Sentiu os lábios dela descendo por seu corpo. E uma simples lambida no mamilo era o suficiente para provocar mais dor e mais prazer. E quando a boca finalmente chegou entre as suas pernas, sentiu que estava prestes a gozar. E quando estava quase lá, mais uma vez a amiga parou e disse:
-Ainda não minha putinha, sei que você está no cio, mas teu prazer é meu…
E dizendo isso, mais uma vez afastou-se. Voltando mais uma vez lambendo-a, mas desta vez penetrando algo meio gelado, que a preenchia completamente, entrando bem devagar. Ela massageava seu clitórris com a língua ao mesmo tempo que penetrava aquela coisa grande e larga que aos poucos ia tomando a temperatura do seu corpo e provocando uma sensação de prazer. E enquanto com a língua e boca ela mamava o clitóris, com a mão direita tocava um mamilo no mesmo ritmo que enfiava e tirava aquela coisa de dentro dela. Aquilo tudo a enlouquecia, sentia dor, sentia-se invadida, flagelada por aquela carícia em seu mamilo sensibilizado e prazer, muito prazer com a mamada dela em seu clitóris, começou então a se contorcer, chorar e gritar, mas sem ter coragem de pedir para parar e então quando pensou que fosse desmaiar de dor e prazer explodiu num gozo absurdo e inexplicável. Sentiu-a enfiar fundo a coisa dentro dela e a boca mais uma vez beijando a sua. O coração dela batia acelerado, e o beijo era sôfrego e urgente.
Maria não soube quanto tempo ficou ali, amarrada e vendada nas mãos de Anna, mas suas primeiras palavras após ser liberta foram:
- Muito obrigada amiga, nunca pensei que pudesse sentir prazer na dor…
Olhou em volta e viu os objetos, testemunhas daquela noite insólita. Os lenços que ainda podia sentir ao redor de seus punhos e tornozelos. As velas acesas que ainda perfumavam o ambiente. O baldinho de gelo que agora era só de água. Clipes de papel largados no canto da cama e um pepino, grande e grosso, todo lambuzado dela. Quem diria que o seu primeiro orgasmo com penetração teria sido proporcionado por uma mulher, sua amiga e de maneira tão incomum.
Anna se recostou na cama enquanto fumava um cigarro, e nisso Maria se aninhou feito gata enroscando em seu abraço. Lá fora Puck latia, certamente com um gato desavisado que ousava passear pelos muros à luz da lua. Uma lua linda, enorme, cheia, que invadia o ambiente em louvor àquele momento. Àquelas duas mulheres abraçadas.
- Dorme Maria, você precisa descansar… – disse aconchegando-a ainda mais em seu abraço.
- Mas você nem gozou Anna…
- Quem disse que não? – e ficou acariciando os cabelos da outra, olhando a lua, ao som das gaitas escocesas e da mágica música celta.
Sugiro o Blog da Beattrice - Textos Eróticos para leitura, onde pode-se encontrar outros contos sobre o assunto.
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* Agradecimentos à Señora Paola Martinez (Málaga-Espanha) e a Senhona Lúcifer, pela atenção e disponibilidade, fornecendo-me subsídios e esclarecimentos as minhas dúvidas e questionamentos.

BDSM & Sadomasoquismo

SADOMASOQUISMO

Sadomasoquismo é a relação entre pessoas com tendências diferentes para a satisfação do prazer. O termo sadismo, refere-se às pessoas que para sua satisfação, infligem à outrem, dor e sofrimento. O termo masoquismo é o oposto e refere-se às pessoas que sente prazer ao receber de outrem, a dor e o sofrimento.
Em ambos os casos, a dor e o sofrimento, pode ser de maneira física, psicológica ou moral. O prazer deriva dessas práticas e para isso não é obrigatório a relação sexual, ficando esta à critério dos envolvidos.

SADISMO

A palavra Sadismo, originou-se do nome do escritor e filósofo Donatien Alfhon François de Sade, mais conhecido por Marquês de Sade.
Resumidamente, sadismo é a tendência comportamental humana que denota em excitação e satisfação provocado pelo sofrimento de outra pessoa.
Quando abordado pela psicanálise, o sadismo não e tomado como uma doença e é vinculado ao ramo das parafilias, ou seja, levando-se em consideração o padrão comportamental, é um comportamento diferente, oriundo das fantasias sexuais, enquanto não causar sofrimento a quem possui esta tendência ou a terceiros.
Explicando melhor, o sádico somente será um doente, se suas práticas se tornarem inadvertidas, usuais e prejudicarem a ele e a outros, seja de ordem física, psicológica ou moral.
Assim, podemos dizer que existe duas variações de sadismo. O doentio e perturbado pelas fantasias sádicas e que envolve o controle total ou parcial à terceiros, causando-lhes terror e transformando-o em suas vítimas, caracterizando um Transtorno de Personalidade e o sadismo saudável que compartilha os seus impulsos sádicos e os complementa com parceiros masoquistas e constitui-se em uma troca.
Tanto em um como no outro, o prazer é causado pelo sofrimento da outra parte, a diferença é que, no primeiro caso pode vir a tornar-se abuso e consequentemente um crime, no segundo caso há consentimento, limites e segurança.
As tendências sádicas geralmente tem origem na infância e o início efetivo das práticas nos primeiro anos de vida adulta.

MARQUÊS DE SADE

Donatien Alphonse François de Sade, nasceu na cidade de Paris, em 2 de junho de 1740,  foi um membro da aristocracia francesa, escritor e filósofo.
Estudou no Lycée Louis-le-Grand em Paris (1754) e ingressou no Exército Francês, participou da guerra dos sete anos e tornou-se capitão de cavalaria. Perverso por natureza, seu primeiro caso de sadismo ocorreu em Aix-en-Provence, quando torturou prazeirosamente uma moça. Por este crime, foi condenado à morte, mas indultado, mas os mesmos repetiram-se muitas vezes em outras cidades como Arcueil e Marselha. Várias vezes preso, inclusive por Napoleão Bonaparte, sempre conseguia evadir-se da prisão, até ser preso definitivamente em Vincennes (1777), de onde foi transferido para a prisão da Bastilha (1784). Esteve internado no hospício de Charenton, entre1789 e 1790, retornando em 1801, falecendo sob internação em 1814.
A grande maioria das suas obras foram escritas durante os anos de prisão e durante a internação no hospício Charenton, tendo os loucos como atores que ele conseguiu montar suas muitas peças, entre elas, Les 120 journées de Sodome (1785), Justine ou les malheurs de la vertu (1791), La Philosophie dans le boudoir (1795), escreveu durante a seunda internação, seu romance mais famoso, Pauline et Belval (1796) e Juliette ou les Prospérités du vice (1798). Sua obra foi marcada de toques sentimentais, retratam os costumes vigentes na França daquela época, incluindo as descrições patológicas das suas perversões sexuais.
Seu nome originou o termo sadismo, que define a tendencia comportamental a ele associada.
Foi perseguido tanto pela monarquia (Antigo Regime) como pelos vitoriosos de 1789 na Revolução Francesa e depois por Napoleão.
Velho e separado de sua primeira mulher, Renné, e preso por suas idéias e comportamento, foi amparado pela atriz Marie-Quesnet, que mudou-se para o hospício e conviveu com ele até a sua morte, aos 74 anos.
Gilbert Lely e o mais importante biógrafo do Marquês de  Sade, compilou de suas cartas e publicou o livro clássico "Vida do Marquês de Sade".

Obras:
- Justine
- Juliette de Sade
- Zoloe e suas Amantes
- O Estratagema do Amor
- Os Crimes do Amor
- A Filosofia na Alcova
- Contos Libertinos
- Diálogo entre um Padre e um Moribundo
- Os 120 Dias de Sodoma
- A Crueldade Fraternal
- Os Infortúnios da Virtude

MASOQUISMO

Masoquismo é uma tendência pela qual uma pessoa satisfaz o seu  prazer sentindo dor ou imaginando que a sente, inclui-se o sofrimento moral e psicológico.
O termo masoquismo originou-se do nome do escritor austríaco Leopold von Sacher-Masoch.
O masoquismo é oposto e complementar  à tendência do sadismo,  o prazer está relacionado com o desejo de sentir dor, sofrimento e humilhação, mediante a dominação de outra pessoa.
O médico alemão Kraft Ebbing foi o primeiro a descrever esta tendência. Mas, em muitos casos o prazer não advém simplesmente da sensação de dor e sim, da situação de inferioridade e submissão ao parceiro.
O masoquismo não é levado pela ciências médicas como uma doença, mas como uma tendencia comportamental, torna-se patológica, quando a prática usualmente e viciosamente, levar perigo à vida de quem a possui, com a aplicação do auto-sofrimento, sem nenhum controle, o que demandará muitas vezes em suicídio.

MASOCH

Leopold Ritter von Sacher-Masoch, nascido na Austria, na cidade de Lviv, à 27 de janeiro de 1836, foi escritor e jornalista, seu nome como deu origem ao termo masoquismo, devido ao seu romance mais famoso "A Vênus de Peles" (1870), no qual um dos personagem atinge o orgasmo, após ser surrado pelo amante da sua esposa.
Sacher-Masoch ganhou celebridade por seus contos. Era letrado, utópico, regionalista, moralista, tinha idéias socialistas e humanistas. Faleceu em 9 de março de 1895.

SM E BDSM

BDSM é  uma relação entre pessoas, baseada numa entrega de uma essência submissa, que alimentam uma essência Dominante de forma segura, sã e consensual, onde o Bondage e  o Sadomasoquismo são os veículos que garantem a prática.
Muitos falam do BDSM sem saber realmente o que ele é, outro emprestam-lhe significados que deturpam o seu sentido.
O termo BDSM surgiu em meados do século XX, para agrupar as tendências e práticas (se não todas, pelo menos, as mais significativas) oriundas do Sadomasoquismo e esse por sua vez, também é mal interpretado.
Muitos, sem conhecimento, veem no BDSM e no Sadomasoquismo, uma prática brutal, condenável ou abominável, devido à cultura e definições errôneas que lhes são imputadas. Frequentemente quando se fala em sadomasoquismo, o pensamento de que as práticas são grotescas e de mau gosto, vem à tona. Porém, nem sempre o BDSM e o Sadomasoquismo envolvem a dor propriamente dita. Muitos praticantes preferem atos que demandam em muita pouca dor, como humilhação verbal, amarrações e imobilizações, espancamentos leves e outras formas que sequer deixam marcas na pele, o que impera para eles é a vontade da dominação e da dominação, que torna tudo sexualmente excitante. O principio básico do BDSM ou do Sadomasoquismo não é a dor, mas as idéias de controle, dominação e submissão.
O próprio conceito de dor, nesse caso, pode se tornar um mal-entendido, já que a procura do prazer é muito mais emocional do que física. Quando nos deixamos entender que a dor é apenas dor e não crueldade, começamos a vislumbrar uma explicação. O masoquista deseja a dor e que lhe seja infligida com amor, o sádico deseja infligir a dor, mas que seja sentida com amor.
Chegamos ao ponto, no qual é necessário dividir dois parâmetros, o jogo de índole erótica e a vivência.
O jogo erótico é uma busca estritamente sexual, onde um exerce o papel de dominante e o outro de dominado, com regras definidas, pré-estabelecidas, garantias e confiança. A vivencia é algo que sobressai da natureza e personalidade do indivíduo, quando um é verdadeiramente Dominante ou Dominador e a outra parte verdadeiramente submissa. Não é um jogo, mas uma relação de personalidades opostas, mas também sáudavel, seguro, com limites e consensual, a fim de concretizar a necessidade de dominar e ser dominada, como forma natural de ter e dar prazer. Consequência natural de duas tendências naturais, dominante e submissa, que se encontram e mutuamente se satisfazem.
A consensualidade de uma relação Bdsm, prende-se a questão dos limites, do bem-estar e da segurança dos envolvidos e estabelecem os parâmetros da relação, dentro dos valores que a parte submissa considera superável e insuperável, ultrapassá-los dependerá dos rumos na relação, pois exige capacidade de entrega e confiança recíprocas.
A ultrapassagem dos limites da parte submissa por parte da dominada, sem o consentimento, tal é a sua responsabilidade pelo "basta", caracteriza-se por abuso criminoso e faz da parte dominadora, um violador incapaz de respeito ao ser humano, que se manifestou e pediu por respeito e segurança
Dito isso, é razoavelmente fácil, estabelecer uma diferença entre BDSM e Sadomasoquismo. Podemos ver que o BDSM é uma instituição que dá garantias e segurança ao Sadomasoquismo e esse por sua vez é o um conjuto de práticas saudáveis e controladas, ajustáveis a ambas as partes.
Não sendo praticas seguras, suadáveis e consensuais, torna-se Sadomasoquismo deturpado e perverso, o que em nada tem a ver com BDSM.

PARAFILIA

Um dos maiores preconceitos dirigidos ao BDSM é o comportamento patológico. Algumas décadas atrás a medicina assim o considerava. Hoje em dia o sadismo e o masoquismo, se ainda o são, podem ser listado entre as parafilias do comportamento sexual humano.
Etmologicamente parafilia, vem do grego, o sufixo "para" significa "fora ou por fora" e o sufixo "filia" significa "amor". Literalmente significa, "o amor que vem de fora", ou seja, o objeto razão prazer é externo ao sujeito e não necessáriamente necessita de cópula para atingir o êxtase.
Estão nesta relação comportamentos sexuais como o voyeurismo (observar a intimidade de terceiros), exibicionismo, agorafilia (atração por sexo ao ar livre ou lugar público), fisting (introdução das mãos na vagina ou ânus), cronofilia (atração por pessoas idosas), asfixiofilia (prazer em ser asfixiado), frotteurismo (a famosa encochada).
Uma parafilia é um padrão de comportamento sexual no qual a fonte principal de prazer não se encontra na relação sexual propriamente dita, mas em  outra atividade paralela. Também considera-se parafilia os padrões de comportamento nos quais a fonte de prazer é objeto do desejo sexual, ou seja, o tipo de parceiro, como pedofilia.
Em determinadas situações, como no exemplo, o comportamento sexual parafílico pode ser considerado perversão ou anormalidade.
As parafilias são consideradas inofensivas, pois são parte integral da psique humana normal , exceto quando se tornam potencialmente perigosas, danosas para o sujeito ou para terceiros, trazendo prejuízos para a saúde, segurança e bem-estar ou quando impedem o funcionamento sexual normal, sendo classificadas como distorções da preferência sexual no Código Internacional de Doenças como CID-10 na classe F65.
Considerar um comportamento parafílico, depende muito do momento, do lugar e das convenções reinantes na sociedade, certas práticas, como a homossexualidade, bissexualidade, lesbianismo, sexo oral, sexo anal e a masturbação foram consideradas parafilias, mas atualmente são consideradas variações normais e aceitáveis do comportamento sexual, ainda hoje há quem considere a masturbação pós-adolescência como uma parafilia. O conceito tende a ser revisto, uma vez que ampliam-se as variações aceitáveis no comportamento sexual humano, desta forma catalogar definitivamente as parafilias, torna-se impossível.
As Parafilias se caracterizam por anseios, fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos, atividades ou situações incomuns, como forma de excitação e obtenção de prazer sexual. Transformam-se em patologia somente quando levam aa sofrimento ou prejuízo clinicamente significativos, necessitando de intervenção e tratamento.
Ser parafílico ou não, somente diz respeito a própria pessoa. Ser parafílico não é crime e tão pouco doente.
Crime é abusar de outrem para satisfação da sua parafilia. Se não consegue controlá-la, procure um médico.
Vamos fazer uma comparação bem rápida e bem humorada!
Se você anda de ônibus e uma ou outra vez sente vontade de encostar o pinto, na bundinha daquela gatinha gostosa à sua frente, ou, se você é uma menina, viajando no ônibus em pé e uma vez ou outra, sente vontade de esfregar a "ditacuja", no ombro daquele gato gostoso, sentado à sua frente, você é normal! Porém, se você sente vontade de pegar o ônibus, toda hora e não consegue parar de fazer isso, tornando-se uma coisa rotineira e que pode lhe prejudicar, por se enquadrar como assédio sexual e render-lhe um processo ou passar por uma vergonha sem necessidade, já se tornou um transtorno obsessivo. Ah, tá bom, o gato gostoso pode gostar, mas a namoradinha ciumenta não! No mínimo, você pode ganhar uns tapas na cara, uns puxões de cabelos, unhadas no pescoço! Que fiasco!

Pézinhos, Doces Pézinhos!

Já é de conhecimento de todos que existem pessoas que possuem fetiche por pés, ou seja, sentem atração sexual por eles? Mas é claro, sempre existe quem não saiba ou desconheça o assunto ou que vê esse desejo um tanto quanto exótico. À essa fantasia, da-se o nome de podolatria, quando o prazer sexual não se encontra no próprio ato sexual, mas é transferido para o objeto de desejo, no caso, os pés de uma outra pessoa.
O podólatra sente prazer em ações simples para com os pés, objetos dos seu prazer. Tocar, beijar, massagear, cheirar, ou mesmo o simples ato de observar o seu “alvo”, são algumas das muitas outras ações possíveis que envolve este tipo de fantasia. Geralmente o fetiche é direcionado à pés de terceiras pessoas e raramente aos próprios pés. Um dado importante, que se vê neste universo, é que a grande maioria dos podólatras são homens, mas isso não exclui as mulheres, mas, não é tão comum em relação ao contingente masculino.
O gosto por pés desperta desde muito cedo, de forma embrionária, ainda na infância e o fascínio toma a forma definitiva com o passar dos anos, entre a adolescência e a maturidade sexual.
Para o podólatra, os pés possuem a mesma sensualidade de um bumbum ou dos seios, da mesma forma que eles e podem se deslumbrar pela sua beleza, cheiro, maciez da pele, etc, também podem se decepcionar pela feiura, se é que existem pés feios, para mim são todos iguais, não vejo diferenças significantes, mas não sou adoradora de pés, ou falta de cuidados com os pés. Aliás, cuidado e limpeza é um item básico para qualquer adorador de pezinhos, muito mais do que o formato ou a beleza.
Não sou uma expert no assunto, também não é uma das minhas fantasias prioritárias, ter meus pés adorados e beijados, além disso, como escrevi acima, acho que os meus pés são como outro qualquer, ou seja, bem comuns, mas já tive oportunidade de tê-los acariciados e beijados. Inicialmente achei estranho, uma das primeiras coisas que pensei, foi quanto ao cheiro, mas fui convencida que isso é algo fácil de resolver, lava-se e pronto, ficam cheirosos, se necessário, um perfumezinho é bem vindo.
Apesar das poucas experiencias que pude desfrutar, ficou claro para mim que em uma relação com um podólatra, não topar é negar-lhe uma parte preciosa para a sua satisfação sexual, comparando as situações, poderíamos dizer que é o mesmo que transar sem nenhum beijo, tal é a importância desse no relacionamento sexual.
A sensualidade dos pés, também é marcada pelo estilo de calçado usado, sandálias, sapatos, tamancos, tipos de saltos, anabela, agulha, o material que é confeccionado os calçados, couro, camurça ou até plásticos transparente e, pelas unhas pintadas com cores que as tornem atraentes e sensuais, o esmalte vermelho por exemplo. 
Sexualmente falando, a atração por pés é similar a outros tipos de atrações, como por pescoço, nádegas, seio, a grande diferença é que este tipo de admiração tem conotação de uma fixação, onde muitas vezes, os pés são responsáveis por inúmeras maneiras de excitação, desde o simples ato de ser roçado pelos pés do companheiro(a), à masturbação feita pelos pés do parceiro(a) sexual podendo leva-los à satisfação plena de prazer e orgasmo.
Existe na podolatria uma enorme variedade de gostos, que se baseiam nos elementos constitutivos dos pés , há preferências somente as solas, outros preferem os dedos longos ou unhas bem aparadas, unhas pintadas, pés descalços e ainda, pés calçados com belíssimo salto agulha, meias finas. É obrigatório citar que há registro da apreciação de pés com frieiras, micoses, chulé, etc, mas é uma preferência que pode-se caracterizá-la por fungifilia, na categoria das parafilias.
Levando-se em consideração as práticas do BDSM e sadomasoquistas a presença dos pés, neste contexto, assume outra conotação, sob a égide da dominação e submissão, servindo a podolatria, como um caminho para as trocas necessárias para este tipo de relação, ou seja a cessão do poder ao dominador e a humilhação ao submisso.
Para o podólatra, a sua satisfação é diretamente proporcional ao cultuar dos pés e das inúmeras possibilidades de ações que a imaginação puder propiciar, traduzindo-se em fantasias que o levam à excitação, sem qualquer outra intervenção, enquanto que no contexto sadomasoquista e do BDSM, o  significação prazeroso da relação podólatra, remete-se à submissão e a dominação, como parte essencial.
A podolatria é algo bem comum de ser encontrado, ela pode estar incluída nas fantasias das pessoas mais próximas a nós, de quem menos esperamos. A melhor amiga que fantasia seus pés sendo beijados, o colega de trabalho que não tira os olhos dos pés das colegas, o desconhecido que passa por nós na rua, um cidadão sentado no banco da praça. Muitas vezes e na maioria das vezes, a presença dela não é notada, nem mesmo por que a possui e passa-se por uma simples fantasia desapercebida. Pois o graus e níveis de podolatria são vastos e pode-se caracterizá-la pela sequencia, que tais fantasias, fazem parte dos nossos pensamentos e desejos.
O mais importante é perceber que a imaginação do ser humano torna-se fértil e capaz de produzir fetiches e fantasias peculiares a cada um, sendo os pés apenas uma das possibilidades.
Para ilustrar este artigo, eu procurei algumas pessoas, tentei encontrar pessoas que falassem sobre as suas experiências, de ambos os lados, tanto do lada de quem gosta de ter os pés adorados, com o lado de quem gosta de adorá-los, uma amiga que conheço pelo nome de DME SHE e que tem a fantasia de ter seus pés como um objeto de desejo, além disso uma dominadora e, um adorador de pés que chamarei pelo nome de "RM".

DME SHE (Domme)
Eu sempre detestei os meus pés, os achava muito feios e por isso nunca permiti que ninguém os beijassem ou massageassem.
Isso até eu encontrar o meu primeiro sub podo, ele me fez descobrir uma forma diferente de sentir um prazer, de um jeito que eu jamais havia sentido em toda a minha vida...Ele tirou os meus sapatos e de forma delicada, foi tocando cada dedinho com os lábios, senti uma sensação gostosa devido aos seus lábios quentes, depois percorreu a sola do meu pé com a língua, o que me provocou um breve arrepio subindo pelo meu corpo. e finalmente ele colocou em sua boca o meu dedão do pé, senti um prazer enorme, percebi que minha calcinha já estava completamente molhada, até que minha respiração ficou ofegante de acordo com a intensidade dos beijos, massagens e chupadas recebidas em meus dedos.Descobri a partir desse dia que a podolatria é importante na minha vida sexual, eu exijo que o meu submisso me proporcione esse prazer intenso nas minhas sessões BDSM, gosto de ter meus pés tocados, adorados e saboreados, quero tê-los a meus pés, em baixo dos meus saltos, como meus capachinhos adoradores de pés.
RM (Podólatra)
Desde a minha infância eu tenho fantasias por pés, eu adorava brincar com os pés das minhas irmãs, primas e amigas, as vezes chagava ao ponto de beijar seus pés. Até certo ponto isso engraçado, eu tinha uns 8 anos e isso se tornava quase uma perseguição e até mesmo uma tortura, pois ela morriam de cócegas.
Mesmo depois adolescente, minha fascinação por pés não cessou e até hoje sou fascinado por eles. Não me vejo fazendo sexo sem eles e é por onde eu começo. Os pés são para mim, tão sensuais quanto um bumbum redondinho e me atraem até com mais intensidade. Em certas oportunidades, me decepcionei com mulheres lindas que tinham pés feios, calejados, com joanetes enormes ou solas ásperas e o tesão foi para o espaço. Não é toda mulher que gosta de ter seus pés, tocados, acariciados e beijados, mas para mim, é uma fonte crucial de prazer, se ela não topa a brincadeira, parece que fica faltando algo, pois dos pés, depende muito a minha excitação. Minha atração por pés é apenas sensualidade e nada tem a ver com sadomasoquismo, apenas gosto deles, admiro-os e sinto prazer em tê-los a minha disposição, para beijá-los, acaricia-los e observar cada detalhe. Sou capaz de diferenciar um pé do outro minuciosamente e descrever as diferenças, por mínimas que sejam.


Gosto de pau...