A Aprendiz: Ritual

por Lena Lopez 

A noite declarava-se em ousadia, deixando em penumbra a sala, que ainda vazia, esperava para assistir passiva a entrega e a dedicação de Rebeca. 
No fundo da sala, um facho de luz escapava pela porta entre-aberta, que leva ao quarto. No quarto iluminado, jazia sobre a cama uma linda lingerie rosada, as meias de seda e um espartilho, ambos brancos.
Ouvia-se o som de água caindo e sob o chuveiro Rebeca banhava-se. Ela deslizava pelo seu corpo um sabonete cheiroso e a água fria levava com ela a espuma branca. Rebeca banhou-se demorado, depois pegou a toalha de fios egípcios e secou-se. 
Atravessou a porta e adentrou em seu quarto, uma suite largamente espaçosa. Jogou a toalha a um canto e olhou-se no espelho, como a adivinhar, como seriam as marcas, depois que retornasse ao quarto.
Caminhou até o lado da cama, arqueou-se um pouco e juntou a calcinha rosa, vestiu-a e ajeitou aos quadris, para que ficasse do jeito que ela gosta. 
Sentou-se na beirada da cama, calçou com cuidado as meias 3/4, Velours De Peau. 
Esticou a perna direita e trouxe para perto seus sapatos de salto, calçou-os e levantou-se de novo, foi ao espelho e vislumbrou seu corpo. 
Levou as mãos da cintura, subindo-as pela barriga, até alcançar os seios e admirou outra vez, sua bela silhueta no espelho. 
Tornou novamente à cama e pego nas suas mãos o espartilho branco, antes de vesti-lo, ficou indecisa e resolveu pensar mais um pouco. Achou que ficaria muito desconfortável e desistiu da peça apertada. Foi até o closet e abriu a gaveta e guardou o espartilho de onde o pegara. Na primeira gaveta escolheu um sutiã na mesma cor da sua calcinha. Vestiu-o a pequena peça rosada e acomodou dentro dela os seios volumosos, ajeitando-os sensualmente à saltar aos olhos, deixando à mostra o seu formoso colo.
Retirou a toalha da cabeça e enxugou com ela os cabelos negros, lisos e molhados, depois a jogou para o lado, dando à ela o mesmo destino daquela que seu corpo enxugara.
Sentou-se à frente da cômoda e do enorme espelho,  numa das mãos o secador, na outra a escova de javali e deu atenção aos cabelos demorados minutos. Depois de pentear-se, fez com todo o cuidado a nova maquilagem. Batom rosa na boca, cremes no rosto, sombras e delineadores, deixando o canto dos olhos puxados.
Rebeca é extremosa e cuidadosa, prima o bom gosto e a sofisticação, faz deles a sua melhor arma de sensualidade e sedução.
Finda a maquilagem, levantou-se e foi novamente ao closet, escorreu para o lado uma das portas do enorme roupeiro e procurou nos inúmeros cabides, o vestido oriental que imaginara, pegou do meio dos vários vestidos, o qipao de seda, rosa e dourado.
Voltou novamente à cômoda, procurou numa caixinha dois biotes pretos e com eles prendeu seus cabelos, dando com os dois pauzinhos, o toque final ao estilo oriental.
Olhou-se na parede espelhada, de baixo para cima e cima para baixo, colocou as mãos nos quadris largos, que o qipao de seda deixava acinturado, virou-se para a direita e mirou-se com um rabo de olho, tentando ver-se de perfil, dando uma meia-volta, repetiu a cena para o outro lado, gostou de jeito que estava, sacudiu a cabeça, mostrando para si, que se aprovara.
Seu sentido de sofisticação intuiu-lhe ao uso de jóias, pensou num colar de pérolas, depois num cordão com pingente, mas desistiu, a ocasião não pedia por elas.
Caminhou em direção à porta, apagou a luz e saiu do quarto.
Atravessou o corredor escuro, guiando seus passos lentos pela luz da lua, que nas janelas da sala entrava. Andou até as janelas e uma por uma cerrou-as com as cortinas. Foi até a sacada, respirou bem fundo e deliciou-se com o ar. Olhou as luzes da cidade, o céu estrelado e lá embaixo a avenida movimentada. Retornou para a sala, fechando e encortinando a porta  da sacada.
Acendeu as luzes e vela por vela, com o isqueiro de prata, iluminou a sala.
Andou até a mesa de centro enorme, feita especialmente para ela, de mogno e sob medida. Deixou-a completamente vazia, do jeito que eu sempre pedira.
Abriu as portas do rack e retirou de dentro as duas cordas vermelhas e outras duas brancas. Levou-as até uma banqueta e enfileirou as cordas de cânhamo, deixando alternadamente e numa sequência de vermelho e branco. Voltou novamente ao rack, pegou a venda de seda e a mordaça de pano. Retornou até a banqueta e colocou-as sobre as quatro cordas.
Olhou o relógio de parede e os seus ponteiros marcavam vinte para as dez. Achou-se eficiente, pois terminara as tarefas antes da hora marcada.
Sentou-se no sofá de couro e ficou ansiosa, queria que eu chegasse, para começar.
Ouviu passos no corredor e logo depois a campainha tocar. Colocou um sorriso no rosto e foi à porta da entrada, pois ela sabia que eu chegara.
Olhei-a e me surpreendi, a minha aprendiz se superara. Vestiu-se totalmente a rigor e deixara tudo pronto, como eu mandara.
Ela curvou-se a minha frente, saudando a minha chegada, com o ojigi. Depois ajoelhou-se e com olhos baixos, esperou que eu entrasse. Acariciei a sua cabeça e estendi-lhe a mão, pedindo-lhe que levantasse.
Ela fechou a porta e veio ao meu lado até a mesa de centro. Acariciei seu rosto e a trouxe a minha boca. Beijei-a profundamente, para que ficássemos tão íntimas como sempre.
O ambiente me seduziu, a dedicação de Rebeca, aqui estou eu, no meu qipao azul e ela prostada aos meus pés e é hora de começar. Hoje a minha aprendiz conhecerá o Sokubaku, mais conhecido como Shibari, a arte de imobilização japonesa dos samurais.

LEIA OS OUTROS CAPÍTULOS

CAPÍTULO 1 - Iniciação de uma submissa!
CAPÍTULO 2 - As Velas
CAPÍTULO 4 - Lição Final 

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