Amor Próprio

por Lena Lopez 

A tarde estava quente e abafada, eu caminhava rua acima. O sol escaldante, o calor e a umidade no ar, faziam-me suar e o suor escorria pelo meu corpo. Aquele ano foi  um verdadeiro inferno, as vezes em um só dia dava para experimentar as quatro estações do ano, quem conhece Porto Alegre, principalmente no final de verão, sabe do que estou falando, é um caldeirão.
Um vestido leve, por baixo apenas uma calcinha, bolsa a tira colo e uma sandália rasteira, totalmente simples, mas capaz de chamar as atenções. Descia a rua no rumo da Praça da Alfândega, a cada passo mais olhares curiosos na minha direção. As coxas roçando uma à outra e o calor insuportável, faziam escorrer as gotas de suor pernas abaixo.
O meu exibicionismo e as sensações de umidade, fizeram-me excitar, desejar um orgasmo e de uma hora para outra, sentir cheiro e vontade de sexo.
Eu olhava em volta, para homens e mulheres, mas sabia que ali, não encontraria alguém, que satisfizesse meus anseios. Olhava em todas as direções e apesar de ver pessoas belas, com corpos perfeitos, nem homens, nem mulheres seriam capazes de me suprir. Sempre senti uma atração ímpar por mim e valorizo meu próprio toque, comecei a massagear lentamente o meu pescoço enquanto caminhava pelo Calçadão da Rua da Praia.
Meus seios tornaram-se agulhas espetando o vestido,  já quase transparente devido ao suor que o molhava e tornando-os possíveis aos olhos de quem se atrevesse admirá-los. Cega em meus desejos, quase sem notar, encontrei-me de frente à praça, árvores enormes, um monumento imponente ao Mal. Osório e na viela da entrada principal, Mario Quintana ao lado de Carlos Drummond, eternizados em estátuas singelas. À passos lentos e cansados eu ia caminhando sobre o paralelepípedo e dei-me à entrada do Shopping, onde por impulso entrei.
Lojas, pessoas apressadas e outras olhando as vitrines. Arrepiei, um choque térmico do ar condicionado, eriçou os meus pelos. Subi dois andares de escada rolante e tomei o corredor até a outra saída na Rua Riachuelo. De novo o bafo e o calor, o suor ainda a escorrer.
Peguei a calçada ao lado do Teatro São Pedro, na minha frente a Praça da Matriz e atravessei-a, rumo a Rua Duque de Caxias.
"Está perto!" - Pensei e continuei caminhando. O suor brotando e colando o vestido no corpo. Um homem passou, me olhou de cima a baixo e parou, me vendo passar. Meu instinto exibicionista renasce, aproveito e rebolo um pouco, provavelmente o vestido, naquela hora estava úmido e colado na bunda.
Cheguei na frente do prédio, abri a bolsa, procurei pelas chaves. Entrei, subi no elevador e finalmente... em casa!
Despi-me, vestido para um lado, calcinha para o outro, as sandálias não sei onde foram parar. Ufaaa!!! Nua enfim! Preciso de um banho!
Sento-me no sanitário, respiro profundamente, estico o braço e abro chuveiro, para sair a primeira água, quase sempre fervente, no verão do Rio Grande. Passo a mão pelo corpo, a pele ainda úmida, molhando os dedos com o meu suor, deslizando-o serenamente entre as pernas, as mesmas pernas que a pouco, roçando uma na outra, me deixaram em estado tão excitado e conforme se abriam, iam  recebendo carinhos das mãos trêmulas, lentamente coxas acima, espalhando o suor, misturando com os meus pensamentos, até tocar o meu clitóris e extravasar na ponta do dedo o meu tesão recluso.
O tempo não existia naquele momento, nada mais me importava naquela hora, entrei em transe junto a mim mesma e quanto mais friccionava, com mais vontade ficava e mais força sobre ele empregava. Acariciava meus seios suados com a outra mão e por vez até a minha boca os levava. Contorcia-me no sanitário, imaginando-me com alguém, fazia amor comigo mesmo e acreditei ser amada, que tinha tudo que era necessário.
O corpo todo ardente, um braço em volta do seio e entre os dedos o outro mamilo, dedinho impaciente mexendo no clitóris freneticamente e começou os espasmos. Meus músculos ganharam liberdade, tornaram-se independentes, não obedeciam meus pensamentos. O corpo estremeceu, o dedo ficou veloz, cingindo com autoridade o botãozinho inchado. Meus gemidos tornaram-se altos, talvez podiam ser ouvidos por todo o prédio, ecoando no poço de luz. Quem sabe as fofoqueiras, que moravam no prédio, correram para o banheiro, a fim de ouvir melhor e descobrir quem estava trepando, sem saberem que eram duas pessoas, cheias de tesão e vontade, desesperadas daquele jeito: Eu e eu mesma!
E veio lentamente a sensação esperada, o ápice da minha situação, Senti de dentro surgir a mais gostosa das  perturbações que eu jamais vivi e num grito estridente, gozei com todo o prazer!
Meus dentes ficaram cerrados, as pernas amoleceram, no peito faltou o ar e por pouco não cai do vaso sanitário. Me entreguei ao momento, quieta por alguns instantes, enquanto retomava os sentidos.
Depois me levantei e entrei sob o chuveiro, lavei primeiro o rosto e finalmente deixei a água cair sobre a cabeça, levando com ela o suor e os resquícios do gozo.

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