Succubus: Pecados da Carne

por H. Thiesen 

Francesco entrou pela porta do mosteiro, atravessou o amplo pátio e caminhou até a sua cela. Abriu a porta, estava escuro, acendeu as velas ao lado da cama paupérrima, foi até um dos cantos, despejou um pouco de água na gamela de madeira e lavou o rosto suado.
Despiu o pesado hábito e ficou apenas com a túnica leve, que usava por baixo das roupas, que colhida pela claridade das velas, tornava-se transparente e deixava a silhueta de seu belo corpo à mostra.  A noite estava quente e abafada, lá fora, começava a descer uma névoa fina sobre o jardim e o cheiro de flores recém molhadas, entrava pela pequena janela e alcançava as suas narinas.
Ele sentia-se cansado, levantara-se cedo, realizara as suas tarefas no mosteiro, dedicara um tempo do dia às suas preces e depois saíra, para obrigações com a comunidade.
Dormira pouco na noite anterior, pesadelos atormentaram-no e acordara várias vezes. Desde que entrara para a congregação, aprendera que deveria dominar os desejos e evitar os pecados da carne, mas naquela noite, deixara-se cair na tentação. Numa das inúmeras vezes que acordara, estava suado e o volume entre as suas pernas encontrava-se rijo, masturbou-se, até espalhar o orgasmo sobre a sua barriga. Culpava-se pela sua fraqueza e pelos pensamentos profanos que o habitaram.
Vencido pelo cansaço, Francesco estendeu o cobertos na cama, deitou-se e mesmo que o sono lhe importunasse não queria fechar os olhos, temia dormir e os pesadelos voltassem.
Resolveu orar, cruzou as mãos sobre o peito e fechou os olhos, sentido-se seguro, baixou sua guarda e o sono finalmente o pegou.
No meio da noite, ele ouviu alguns ruídos, sons de sapatos de salto, alguém caminhava lá fora.
- Uma mulher - pensou ele, mas como? No pátio do mosteiro, impossível!
Levantou-se, espiou pela pequena janela e não avistou ninguém.
- Que bobagem, deve ter sido os cascos de um dos animais!
Voltou para a cama, virou-se à parede e adormeceu novamente.
Acordou assustado, teve a impressão que a porta da cela fora aberta. Curvou-se na cama e olhou. Na cela apenas as velas queimavam, ninguém entrara, mas uma estranha sensação o incomodava.
Deitou a cabeça no travesseiro de penas, virou de um lado para o outro, estava com sono, mas não conseguia dormir.
Lembrou-se da noite anterior, dos pesadelos que teve, da mulher que o importunara nos sonhos e quando deu-se por conta estava excitado. Culpou-se, lutou contra a sua libido, não queria ser vencido pelos instintos. A batalha, entre a crença e  a sua carne, o deixaram em um estado torpe, quase um transe, dormia e acordava, os olhos teimavam fechar e ele os abria. Os pensamentos desenhavam imagens, traziam-no um rosto, um corpo e seios. Sentia-se fraco e com as sensação de ter suas energias sugadas, viu-se perdido e entregue. Não mais sabia se estava acordado e dormindo, a confusão instalara-se.
Francesco abriu os olhos e a viu, parada à janela e olhando para a rua. Ela trajava um vestido branco, estilo vitoriano, longo e acinturado. Os cabelos negros caiam aos ombros e cobriam até o meio das costas. Assustado, ele tentou levantar, mas ela lhe disse para ficar na cama. Voltando-se para ele, caminho devagar, atravessando a cela e sentou-se ao seu lado.
- Quem sois?
- Quem sou eu? Eu sou seu desejo!
- O que? Como entrastes aqui? Mulheres são proibidas no mosteiro.
A mulher acariciou o seu rosto e lhe disse sorrindo:
- Aquietes a alma eu vim por que me chamastes.
- Não vos chamei, nunca!
- Sim, chamou-me... seus desejos, sou seus desejos.
Francesco estava estupefato, ela era uma mulher muito bela e forte, seus olhos eram negros e penetrantes.
Ao olhar para aqueles olhos, Francesco sentiu-se irremediavelmente tolhido. Seu coração batia descompassado, sua respiração ficou ofegante, sentiu um calor subindo dos pés a cabeça, fazendo-o febril e teso.
A estranha curvou-se gentilmente sobre ele e olhando nos seus olhos, posou seus lábios sobre os dele e o beijou. Ele nunca beijara uma mulher e deliciou-se como nunca experimentara.
Sua boca se abriu deixando que ela a explorasse livremente com a língua, arrancando suaves suspiros do frei, que esqueceu-se de quem era, entregando-se e ficando à deriva dos seus próprios desejos. Francesco retribuiu o beijo com todo calor do seu ser e entregou-se a ela.
As mãos dela rasgaram a túnica desgastada e puída pelo tempo. Ele sentiu vergonha, nunca ficara nu na frente de uma mulher, tentou cobrir-se, mas ela o impediu e acariciando o seu peito, disse-lhe com a voz rouca:
- Quieto, quero ver-te, admirar-te o corpo!
Francesco viu-se devorado, cada pedaço do seu corpo, pelo olhar sensual da mulher. A mão fria e macia acariciava a sua pele e as unhas levemente o arranhando, despertavam um vulcão, o qual ele nunca imaginara ter em seu corpo.
Ela segurou-o pela nuca e trouxe-o para ela, abraçou-o e espremeu os seios em seu peito, suas unhas compridas e arranharam-lhe as costas, provocando-lhe arrepios e um misto de dor e prazer.
Deixando-o deitar-se novamente, ela levou as mãos às costas, desatou o vestido e deixou que ele lhe caísse dos ombros, revelando-lhe a sua pele alva e os seios de pera, com mamilos rosados e rijos.
Debruçando-se, colou o seu corpo ao dele, enquanto livrava-se do vestido, fazendo-o escorrer pelas pernas e cair ao piso gelado da cela. Era a primeira vez que Francesco sentia-se unido ao corpo de uma mulher, suas vontades explodiram, fazendo-o esquecer de seus juramentos.
As velas davam à cela um clima sedutor. As sombras dos corpos dançavam, como sensuais silhuetas, nas paredes escuras.
Francesco não pensou em mais nada e deixou-se avassalar por um turbilhão de sentimentos e sensações.
A mulher deitou-se sobre ele e iniciou um passeio com sua língua, primeiro o peito e os mamilos, depois a barriga. Sem mostrar resistência, ele fechou os olhos e gemeu baixinho. A boca molhada percorreu todo o seu corpo, distribuindo carinhos ousados e obscenos e quando alcançou o seu sexo, Francesco não se conteve e não foi capaz de abafar o gemido, com as mãos tremulas segurou a cabeça da mulher, exigindo prazer e perdendo os pudores. Seus gemidos ecoavam e saiam pela pequena janela, as velas iluminavam os dois e Francesco olhava os movimentos das sombras, excitando-se cada vez mais.
A mulher deitou-se ao seu lado e puxou-o sobre o seu corpo, com as mãos levou Francesco aos seus seios, conduzindo-o e ensinando-lhe como dar-lhe carícias. Francesco beijo-a nos seios, depois sugou e lambeu seus mamilos. Com delicadeza, ela levou-o adiante, fazendo-o deslizar pela sua barriga e pousar sua boca entre as pernas. Francesco pela primeira vez sentiu o sabor de uma mulher, sua boca provava os prazeres da carne e o mel do prazer, sua língua aprendia aonde ir e como fazer. O mel escorria abundante em sua boca e ela gemia baixinho, apertando-o com as mãos, entre as suas pernas.
Ela sentia-se pronta e puxando-o pelos cabelos, trouxe-o novamente à sua boca. Enlaçou-o com as pernas e enfiando a mão entre os dois, segurou o sexo de Francesco e levou-o à entrada do seu. Ele sentia-se entorpecido, estava ansioso, nunca possuíra uma mulher antes. Olhando no olhos dela, que brilhavam às luzes das velas, perguntou-lhe:
- Qual é vossa graça?
- Babet!
Babet forçou as nádegas de Francesco com os calcanhares, fazendo com que seu sexo sumisse, de uma só vez, dentro dela.
Francesco enlouqueceu de prazer, seus quadris começaram a mover-se e a penetrava cada vez mais fundo e com mais força, fechou os olhos e aproveitou o momento.
Com apenas um impulso, Babet jogou Francesco na cama e sentou sobre ele, passando a dirigir os movimentos e o ato.
Francesco deleitava-se deitado sob ela e de olhos fechados aproveitava o prazer de todas as sensações que sentia. Ela subi e descia e ele deslizava deliciosamente dentro dela.
Francesco sentia suas forças esvaírem, uma mistura de prazer e fraqueza tomou conta do seu corpo. Sentiu rapidamente um medo, mas o prazer foi mais forte e ele entregou-se à ela. Sentia seu sexo latejar, sentia os seios de Babet roçar no seu peito, as unhas cravarem em seus ombros e a cada gemido, sua energia parecia escapar pela boca.
De repente, Francesco estremeceu, sentiu-se jorrando e Babet pôs-se a urrar sobre ele. O urro era alto e apavorante, Francesco abriu os olhos e viu-a com a boca aberta, aspirando, como se consumisse a sua vitalidade. Apavorado, segurou pelos ombros e jogou-a contra a parede e ela jogou-se novamente sobre ele, com uma fúria enorme.
- Ah, perdoe-me o pecado! - gritou ele ensandecido e arrependido de ter cedido à luxúria. 
Francesco debateu-se na cama, lutava com todas as suas forças e sentiu-se sacudido pelos ombros.
- Acorde Francesco! Acorde... é apenas um sonho!
Era o Frei Jeremia, havia acordado com os gritos de Francesco e foi ver o que acontecia.
Francesco sentou-se na cama, o Frei alcançou-lhe um copo de água. Mais descansado e refeito, conversaram um pouco.
O Frei foi para a sua cela e Francesco deitou-se novamente, ficou pensando: 
- Foi apenas um sonho, apenas mais um daqueles sonhos! Preciso orar!
No canto da cela, alguém o espreitava, um Succubus, à espera dos desejos profanos de Francesco, o sinal para ela voltar.

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