Geometria Erótica

por H. Thiesen 

Uma vez um triângulo, ousou desafiar um traço, cheio de orgulho, o triângulo, queria dobrar o traço
O traço quieta, parada na frente do triângulo, senhor de si, permanecia como se nada estivesse acontecendo,  inflexível, pendendo para baixo, esperando talvez, que o triangulo orgulhoso, resolvesse atacá-lo e pensava:
- Ah, eu te pego pelo vértice! Deixa estar!
Pobre triângulo, pensava que podia fazer, o traço tremer.
Pensando que estava, ganhando a jogada, resolveu se mostrar, para o traço em todos os seus detalhes, por pura maldade. Parado ficou, o triangulo maldoso, à frente do traço e se exibiu, mostrou-lhe as linhas singelas e insinuantes, as suas beiradas mais sensuais e o principal, o vértice inferior.
Mal sabia, o triangulo, que o traço nada tinha a temer, que o tremido não era de medo, mas de excitação. O traço continuava estático, parado no mesmo lugar, mas havia um porém... Quanto mais o triangulo se mostrava, mais o traço crescia, aumentava a sua largura e já começava a erguer-se, na direção do triangulo.
O triangulo, todo exibido, não previa o perigo e dançava na frente do traço. Tornou-se até inconsequente, por vezes, abria o seu ângulo mais agudo e deixava o traço vê-lo por dentro.
O traço crescia e inchava e naquela altura, já poderia ser chamado de cilindro. Ficou tão comprido, que balançava à frente do triângulo e esse, distraído com o seu exibicionismo, não se dava conta do que estava por vir.
O triangulo fez e aconteceu, queria caçoar daquele pedaço de linha, liso e inchado, acreditava ele, que o aumento de tamanho era pura irritação:
- Por que tanta raiva, daqui a pouco estoura! - Pensava o triângulo.
Presunçoso, o triangulo, não tinha limites, arriscava-se cada vez mais perto do traço. A sua gana, cegava-lhe ao perigo, ele se abria e fechava, fechava e se abria. Até que a sua ousadia extrapolou o bom-sento e o triângulo, abriu-se demais, escancarando seu vértice agudo.
O traço não resistiu, hesitou um pouco, mas de sobressalto jogou-se ao encontro daquele vértice escancarado, não fosse aquele pequeno vacilo, teria acertado o triângulo em cheio, mas esse havia se esquivado e o traço passou lambendo tangente na pontinha do vértice.
- Triangulo à toa! - Pensou novamente irada, o traço.
O triangulo se recolheu, ficou pensativo, mas avaliou que a sua empreitada teve sucesso e que valia a pena correr o risco. Já estava um pouco cansado, o vértice agudo estava suando, as vezes até pingava, precisava de fôlego, mas sem tirar o olho do traço, abriu-se de novo para tomar um ar!
A tangente deixara o traço muito excitado. Ele não era mais um traço singelo, mas havia se transformado em seta, enorme, com uma reluzente ponta vermelha e como tal, adquirido uma investida certeira:
- Ah - pensou a seta - faz só mais uma vez e você não escapa!
Como a fome é maior do que a vontade de comer, o triângulo resolveu se arriscar, pulou e dançou, abriu e fechou na frente da seta, a qual ele achava que ainda era um simples traço, daqueles bem bobos:
- Ridículo, ficar vermelho desse jeito e ainda por cima babando de raiva!
Mas de burra, a seta não tinha nada e como seta esperta, que mostra, mas também sabe os caminhos, era uma verdadeira bebe-quieta e ficou esperando por um novo vacilo do triângulo.
Tanto fez o triangulo, pulando e dançando, abrindo e fechando, que numa distração se escancarou.
A seta entrou, se enfiou de uma só vez e para dar uma lição no triângulo, ficou brincando com ele, entrando e saindo, saindo e entrando, as vezes devagar e de outras bem rápido. Queria se vingar, mostrar para aquele triangulo bobo, que não era tão inocente. Porém, não previu, que o triângulo poderia gostar da brincadeira:
- Puxa, como isso é bom! Delícia! Faz mais, gostei!
Estupefata com o pedido, a seta continuo a brincadeira.
O triângulo exibido, então abatido por uma paixão violenta e repentina pela ex-traço, gritava e pedia:
- Não para, não para... Quero mais!
A seta, não se dando por vencida exigiu:
- Então faça por merecer!
O triangulo se espremeu todo e tornou-se isósceles, apertando a seta no seu interior.
- Ainda não está bom! Disse-lhe a seta.
O triângulo resolveu variar, começou a se mexer, as vezes ficava isósceles, depois equilátero e por vezes obtuso, não fosse a falta de lados, teria se transformado em retângulo, quadrado e bem que tentou, mas de tão afobado e ansioso que estava, não conseguiu transformar-se num círculo.
Ficaram assim por algum tempo, até que cansaram e caíram exaustos, um para cada lado.
O triangulo voltou à sua forma normal, equilátero por natureza e a seta, voltou a ser novamente um tracinho acanhado, pendendo para baixo!

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2 comentários :

  1. Então... o círculo virou para o traço
    E disse: Vem que eu te faço!
    E o traço falou... eu também quis!
    E varou o círculo como uma bissetriz....

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  2. Pois não é que eu havia comentado com um poema em JanEiro de 2106!!!!!!!!!
    Olha eu aqui de novo!!!!

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