Obsessão de uma velha prostituta

por H. Thiesen 

- Meus olhos estão cada vez mais escuros! O que eu fiz para mim? Se arrependimento adiantasse... Não faria tudo o que eu fiz! Se eu tivesse outra chance!
Já fui uma prostituta, linda e muito requisitada, diziam que eu era a mais bela do bordel. Hoje sou uma velha, cansada e asquerosa, creio que pela vida que levei, renegada pelos clientes e jogada a um canto escuro desse covil imundo.
Lembro-me dos meus tempos dourados, quando era amada pelos homens e tratada como uma rainha. Lembro da alegria que pairava sobre a minha vida, as artimanhas de mulher da vida, as quais eu utilizava para dar lucros a mim e a minha cafetina.
Bons tempos aqueles, que eu tinha um belo par de seios, exibidos em decotes ousados e que todos queriam beijar. A minha cintura fina que muitas mãos envolveram durante beijos ardentes. Eu tinha pernas belíssimas, enfeitadas por cinta-ligas e meias finas, quase sempre pretas ou vermelhas e os pés sobre saltos altíssimos.
Muitos foram os homens que conheci, muitos foram os que se deitaram comigo, alguns eu amei e à grande maioria apenas cedi meu corpo para satisfazerem as suas necessidades. Houve aqueles que me fizeram gozar e também aqueles com quem eu detestei estar, mas todos eles, como uma boa prostituta deve ser, deleitaram-se comigo.
Fui... Mulher da vida, dizem que, mulher de vida fácil, mas não tão fácil assim! Só eu sei as humilhações que passei, mas não posso me queixar, elas me renderam dinheiro... Muito dinheiro! Pena que, do mesmo jeito que ele vinha, ele também saia. Gastava tudo com roupas, maquiagem e penteados. Tudo pela fama, tudo para ser a melhor. Quem não sabe ou ouviu falar da fama das prostitutas francesas da "La Belle Époque", tempos da burguesia, dos boulevards e dos cabarés, do Moulin Rouge, de Oscar Wilde e da "art nouveau". Paris era um paraíso, realmente uma Cidade Luz. Eu vivi esta época, vivi a alegria de uma sociedade em transformação, que buscava cultura e diversões. Nesse meio, eu era famosa e para isso, eu não poupava pudores, não me negava à satisfazer desejos e fantasias. Fiz sexo com homens e mulheres, muitos ricos e famosos, de todos os jeitos e formas. Mas... Você apareceu!
- Maldita!
Você chegou humilde e inocente, aos poucos roubou-me a fama e o dinheiro, jogou-me ao anonimato e tirou-me tudo o que eu tinha.
Ainda hoje, por culpa tua, sinto-me um lixo, um farrapo humano jogado a um canto. Meus clientes deixaram-me e postaram-se à tua volta. Mas felizmente consegui te dominar.
Eu sei os teus segredos, sei o que você pensa, sei todos os teus medos e por causa deles tenho você na minha mão. Tornou-se fácil dominá-la! Basta-me querer e você faz. Eu te uso para me saciar.
Delicio-me quando se masturba e posso sentir o cheiro do teu sexo molhado, teus gemidos soam como música aos meus ouvidos e deliro com a visão do teu corpo nu e das tuas pernas abertas. Todas as noites deito-me sobre o teu corpo e passa a minha língua em cada uma das tuas partes. Delicio-me quanto você se masturba e posso provar o sabor do teu sexo impregnado nos teus dedos. Nessas horas sou capaz de saber teus pensamentos e saboreio os teus desejos e todas as tuas vontades de cometer os mais insanos pecados.
O domínio que exerço sobre você é a minha vingança, pois você roubou a minha vida, os amigos, os clientes e a fama. Hoje eu deito sobre to teu corpo e me adono de todas as tuas partes. Faço parte de todos os teu sonhos, desde os mais inocentes aos mais picantes possíveis.
- Ah... Outro homem, outro cliente! Então faça o que ordeno!
Beije-o, lamba-o, chupe o seu sexo e deixe-o jorrar na tua boca. Deite-se na cama e abra as pernas, deixe-o invadi-la e não reclame. Olhe para ele bufando sobre você. Veja como ele te usa. Você não passa de um objeto para ele, assim que estiver satisfeito, você não será mais nada para ele.
Ele se foi, agora pegue o dinheiro, conte-o e ponha entre os seios! Deixe-me cheirá-la, quero sentir o cheiro de sexo! Agora vamos para o salão e daqui a pouco traga um outro! Estarei te cuidando! Espere... Antes preciso te falar:
- Lembre-se, você é uma prostituta, uma cadela e eu mando em você!
- Janet.... Janet... Já chega!
- Quem ousa?
- Janet... Já chega, ela está sofrendo!
- É o que eu quero, quero vê-la sentir-se um lixo!
- Basta!
- Quem é você? Apareça, ou está com medo?
- Eu estou aqui, ao seu lado?
- Onde, não o vejo? Está muito escuro!
- Basta querer e me verá!
- E por que eu iria querer?
- Por que você pediu outra chance!
- Ahahaha! Foi uma recaída!
- Não, não foi! Você está arrependida! Vamos tente, estou ao seu lado!
- Não posso, meus olhos estão escuros cada vez mais!
- Pode... Basta querer realmente!
- Essa luz... Apague essa luz está me cegando!
- Acalme-se Janet, vamos conversar!
- Depois, tenho que ir! Ela já está no salão!
- Vamos juntos então!
- Problema seu!
- Onde está ela?
- Está ali?
- Como,  Aquela ali?
- É ela, bem mais velha!
- Como pode...
- Você parou no tempo!
- Impossível, estamos em 1911.
- Venha Janet, tenho algo a lhe mostrar!
- Não posso, ela já está com outro cliente!
- Não é um outro, é o mesmo de sempre!
- Você está louco!
- Venha comigo, até aquele canto escuro!
- Não, não posso ir lá!
- Pode e deve ir!
- Tente me levar!
- Venha...
- Vou, mas será rápido!
- Você não gosta daqui?
- Não... Foi aqui que fiquei o resto da minha vida!
- O resto da tua vida?
- Sim, atirada nesse canto!
- Janet, qual a última coisa que você se lembra?
- Esqueci de tudo!
- Vamos force a memória!
- Eu estava aqui, comum co...
- Com um...
- Copo de veneno nas mãos!
- E?
- Eu tomei... Espere? Você está dizendo que morri?
- Sim!
- Não pode, eu estou aqui! Depois que bebi me senti mais forte e poderosa!
- Isso foi muito depois! Vamos Janet... Lembre-se do que aconteceu naquela hora!
- Faz muito tempo...
- Vamos, vamos...
- Senti meu estomago queimar, depois vieram os calafrios e uma dor insuportável. Sentia-me fraca e de repente estava de pé, de frente para a mesa e olhando aquela mulher horrorosa e imunda, espumando pela boca e com os olhos revirados. Eu fiquei no meio daquela gente toda, espiando o que fariam. Fui no enterro, não tinha ninguém, só eu e vi os coveiros cobrirem o caixão.
- Quem era aquela mulher horrorosa?
- Era eu?
- Não, era o teu corpo sem vida!
- Mas... mas...
- Depois disto, por que não tomou o caminho que deveria seguir?
- Fiquei sentada no túmulo por algum tempo, alguns passavam e me convidavam a ir com eles, um deles me disse que eu deveria ir para a luz, mas decidi vir para cá novamente. Notei que ela fazia tudo como eu a mandava, bastava-me pensar e ela obedecia. Resolvi fazê-la sofrer, tanto e quanto eu sofri depois que ela chegou! Mas estou ficando cansada disso tudo, apesar de ser tão pouco tempo!
- Pouco tempo? Estamos em 1948. Você parou no tempo, com uma ideia fixa de vingança! Olhe em volta, agora está tudo claro, há muita luz!
- Onde estou? Não reconheço este lugar!
- Aqui é o lar de Camille, ela encontrou alguém que a amou, depois casou-se e teve filhos e envelheceu! Mas você sempre pensou que estava no bordel, que todas as noites vinham clientes, mas era apenas o esposo! A sede por vingança te cegou e para você somente existia o prodtíbulo e a prostituta novata! Você estacionou numa ideoplastia sem fim! Já chega de sofrer Janet, você pediu e vim buscá-la, vamos para a luz!

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3 comentários :

  1. Muito interessante este conto. Mostra a realidade da vida de qualquer prostituta. Novas ganham rios de dinheiro, gastam mares, pois o dinheiro é muitas vezes água. Tanto vem como vai.
    Chegadas a velhas nada têm a não ser a tristeza e as recordações. Sem duvida um conto "real". Gostei muito de ler.
    .
    Bom fim de semana.

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  2. Mais que um conto real....
    Um conto com a temática espírita da reencarnação, da expiação de pecados..das prova que nossa evolução espiritual nos exige.
    Estou muuuiiittoooooo surpreso de encontrar algo dessa grandeza aqui....
    Mocinha... você me conquistou!!!!!

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  3. Caramba, Helena... Excelente. Parecia que estava lendo o roteiro de um daqueles filmes Cult Europeus. Excelente mesmo.

    As vezes é bom mostrar a todos que ai, não jaz apenas uma loira que sabe escrever sobre sexo desvairado, mas que também, tem um nível de cultura muito bom ao ponto de escrever esse conto de ficção-dramático.

    Adorei mesmo.
    Parabéns.

    Beijos.

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