Ame-se!

por H. Thiesen 

Logo no início me causava certa repulsa, para falar a verdade, uma estranheza de mim mesma.
Não começou de uma hora para outra, mas foi certeiro quando aconteceu e fiquei com a sensação que me arrebataria para sempre e a partir daquele momento eu não seria mais a pessoa que eu via todos os dias no espelho.
Quando eu me dei conta do que estava acontecendo comigo realmente, que aquele beijo, daquela menina que eu tanto admirava, não tinha sido apenas um beijo, mas um divisor de águas na minha vida, eu tive certeza, que tudo mudaria..
Eu percebi que eu não conseguiria fugir, pois mesmo que quisesse, eu não conseguiria. Seria inevitável e lutar contra não adiantaria nada. Até hoje, é a batalha mais feroz que travei na vida e comigo mesmo. Não é fácil aceitar e entender que você acabou de mudar. Perguntas pairavam na minha cabeça: Será que sou normal?E tudo o que me ensinaram sobre sexo, namoro, casamento? E agora, será que vou casar? E se eu casar como vou administrar isso, será que ele vai me entender? Como será se eu estiver com alguém e me encantar por uma mulher? Meus amigos, o que irão dizer? Minha mão me amará do mesmo jeito? E esses pensamentos e perguntas tornaram-se os únicos, a habitar minha cabeça durante muito tempo.
Não foi necessário contar para a minha mãe. Ela soube logo que eu me envolvi com a primeira menina, isto é, logo depois que eu me relacionei de fato e mantive este relacionamento por algum tempo. Fui notificada que ela já havia notado, quando tentei contar, anos mais tarde. Naqueles segundos que ela olhou profundamente dentro dos meus olhos, a única coisa que me passou pela cabeça é que, ela me amava muito mesmo, pois se fosse outra pessoa não estaria agindo daquela forma. Naquele dia eu aprendi o que é amar alguém de verdade, a ponto de entender os seus defeitos e aceitar uma pessoa como ela é. Foi uma das maiores lições da minha vida.
Quando eu soube era aquilo mesmo. Que não haveria uma volta a trás. Que homens e mulheres me atraiam na mesma proporção e que eu me descobri capaz de amar muito melhor o mesmo sexo do que o oposto, resolvi me assumir para mim mesma não me atraiam e que sim, as mulheres eram o gancho que faltava para que eu fosse realmente feliz, eu me assumi. Precisava de uma nova proposta de vida e propus-me então, a ser feliz e a lutar por essa felicidade.
Depois desta decisão, passei a tratar com normalidade os meus sentimentos. Decidi não rebater eventuais ofensas, afinal é algo extremamente comum. Tratando desta forma, moldei minha postura e com base nisso, passei a influenciar as pessoas ao meu redor. Usando de discrição, procuro não me deixar notar, não saio por aí dizendo do que eu gosto, com quem estou, o que eu faço ou o que sou, mas se me perguntarem, eu falo... com todas as letras, melhor uma certeza, do que fofoquinhas e piadinhas pelos cantos.
Hoje, posso dizer que preconceito não me atinge. Lógico, a desinformação da sociedade e os rótulos social ou politico-religiosos, ainda são capazes de dirigir alguns olhares tortos e desconfiados, as piadas machistas são inevitáveis, mas elas são totalmente digeríveis, na maioria das vezes, o machista quer ver duas mulheres juntas e não sabe o que fazer para conseguir. Porém,  amigos, colegas e pessoas mais próximas não dão trabalho, para eles, falo sobre meu relacionamento e minhas escolhas de forma aberta, sem medo.
A questão mais importante, nessas circunstância é, aceitar-se, pare que seja aceito e isso quer dizer quebrar seus próprios preconceitos, escolher um modo de vida que não incomoda ninguém, não tentar quebrar o preconceito da sociedade com exaustivos desafios, expondo-se desnecessariamente ou querer empurrar goela abaixo a sua opção, decisão ou tendencia sexual. Vemos muito disso por aí, gays, homo e bissexuais se portanto de um  modo em público que, até aos héteros ainda é tabu, mas sem razão, querem ser ou se auto-intitulam, vítimas do preconceito e da homofobia. Afinal, ofensa sempre será ofensa, violência sempre será violência, não importa a quem elas são dirigidas. Ser chamada de sapatão, não é mais ofensivo do que ser chamada de vadia, ser chamado de veado não é mais do que ser chamado de corno. Mesmo sendo realmente puta ou corno, quem não se revolta? Ninguém tem a ver com o que somos e fazemos, mesmo sejamos ou não, de fato.
Diante de tudo o que vivi, eu aprendi que para ser respeitada, é necessário me valorizar, respeitar e ter limites. Para tudo há oportunidade, local e hora certa.
Há apenas uma receita para ser feliz: Ame-se!

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2 comentários :

  1. Excelente texto!
    Pode-se ser tudo. mas quando assumimos uma relação, o respeito mutuo é a base principal.
    Muito bom

    Abraço
    Sou novo, mas estou à sua espera!
    http://anseiosedevaneiossexuais.blogspot.pt/

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  2. Delícia de texto....
    A isso eu chamo "alcançar a maturidade, a plenitude da vida".
    Encontrar-se... ser dono(a)de si mesmo(a)...
    Posso dizer: "Querer ser outra pessoa é desperdiçar a pessoa que somos..."
    Beijos.... e essa foto dá vontade de morder esse biquinho bem carinhosamente!!!

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