Obsessão

por H. Thiesen 

Como um ritual noturno, todas as noites ela sentava-se à beira da cama, deitava seu corpo sobre o dele e beijava-o na boca. Ele dormia e pouco notava a sua presença, vez ou outra sussurrava o nome dela.
Ela não se importava com isso, já se acostumara e continuava a dar-lhe carinhos.
Depois que o beijava, descia ao peito e percorria-o com a boca, adorava saborear cada um dos mamilos e circula-los com a sua língua. Uma vez ou outra deitava seu rosto e ficava algum tempo brincando com os pelos entre os dedos.
Toda noite era assim, ela ficava sedenta e queria sexo e mesmo com ele dormindo dava um jeito. Não se importava, dar-lhe prazer a satisfazia. Mas, não entendia por que ele mantinha distância, como se ela não existisse.
Depois de acariciar por algum tempo o peito dele, ela descia pelo ventre e deliciava-se no membro dele. Sentia-o enrijecer na sua boca e saboreava com intensidade a glande rosada. Percorria toda a extensão com a língua e sugava os testículos, um de cada vez. Muitas vezes colocou os dois dentro da boca e acariciou-os com a língua. Realizava-se quando arrancava dele suspiros profundos ou gemidos intensos e então, dedicava-se mais ainda às carícias e ouvia-o chamar por ela e contorcer-se na cama. Locupletava-se quando ele não resistia e esvaziava-se na sua boca, mas preferia ele com o membro rígido, para montar o seu corpo e cavalgá-lo!
Cavalgava com delicadeza, sentia uma leveza impar e deleitava cada centímetro do membro ereto. Gostava de deitar-se sobre ele e deslizar os seios no peito ou, deixar-se cair, soltar o peso sobre ele e beijá-lo na boca, enquanto movimentava os quadris docemente, sempre cuidando para não deixar escapar. Assim, ouvia a respiração ofegante, os murmúrios e os gemidos que ele deixava escapar da sua boca. Porém, quando ele sussurrava o seu nome, ela não se aguentava e enchia-se de prazer. Era capaz de ficar a noite inteira assim e só saía de cima dele, quando o sentia jorrar dentro dela.
Numa das noites, ao chegar na beira da cama, notou que ao lado dele dormia uma outra mulher. Encheu-se de raiva, sentiu-se traída e partiu para cima dele. Agarrou-o pelas roupas e sacudiu-o proferindo palavras ofensivas. A cólera tomou conta dela , ele apavorado acordou e sentou-se de sobressalto na cama, o coração quase saia-lhe pela boca e seu grito ecoou pelo quarto:
- O que foi querido? - Perguntou a mulher.
- Tive um pesadelo!
- Acalme-se foi apenas um sonho!
- Mas... Mas...
- Sonho, apenas sonhos!
- Preciso te falar...
- Fale querido!
- Ultimamente tenho sonhado muito com Luiza!
- Como?
- Não sei, é como se eu e ela fizéssemos amor! E hoje... Ela estava brava, tal e como nas crises de ciúmes que ela tinha!
- Querido, já fazem oito anos que ela morreu!
- Eu sei que ela morreu, mas foi tão real!
E, ouvindo a conversa, Luiza não se conformou:
- Eu morta? Sua vadia, estou aqui e bem viva! Saia da minha cama e da minha casa!
- Luiza... Acalme-se!
- Que... que... quem?
- Eu?
- Vovó! Mas a senhora está morta!
- Não menina, nem eu nem você, estamos bem vivas!
- Não entendo!
- Vamos, venha comigo!
- Não posso, tenho que expulsar aquela cadela!
- Isso não importa mais, deixe-os em paz!
- Mas eu o amo! Até à pouco estava tudo bem!
- Não, não estava, era impressão sua!
- Como não? Eu e ele fazíamos amor todas as noites!
- Querida, você fazia, mas ele apenas sonhava, você o obsediava e o induzia!
- Me sinto tão mal, sinto falta de algo! Falta-me ar!
- Sim filha, você sente falta do corpo!
- Corpo? Olhe para mim, estou aqui inteirinha!
- De certa forma sim, tente lembrar-se do que aconteceu, você precisa entender!
- Lembrar do que? Só lembro dele e de mim?
- Bem antes menina, bem antes! Vamos, force um pouquinho a memória!
- Antes, antes, antes... antes do que?
- Veja bem, a quanto tempo ele te ignora e você não consegue falar com ele?
- Muito, muito tempo! Acho que lhe fiz algo e ele está bravo!
- Sim, você fez algo, mas ele não está bravo!
- Não lembro... Não lembro!
- Pense! Todas as noites, depois de tudo, você se retira do quarto e vai para onde?
- Vou ao banheiro, alguma coisa me faz ir para lá!
- Então, vamos até lá!
Amparada pela avó, Luiza caminhou até o banheiro e então tudo clareou, como se uma vanda fosse retirada dos seus olhos:
- O veneno vovó, o veneno... O que eu fiz para mim? Foi tudo por causa do maldito ciúme!
- Venha filhinha, venha comigo, você tem muito à aprender!

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5 comentários :

  1. Os mortos não descansam mesmo. Pra quem curte o espiritismo (Não sou adepto, mas sei alguma coisa e acredito), almas atormentadas tem grandes dificuldades de desprendimento da vida material e neste caso a carnal que é bem forte a atração. Pessoas suicidas tem seu inferno da pior maneira, revivendo suas angustias e ódios... O pior inferno é reviver o tempo todo aquilo que não se quer... Aumenta a ira, aumenta a dor, é como uma bola de neve. Um espírito de luz é necessário vir ao resgate, coube a vó.

    Não sei se tu fez essa história com conhecimentos do tipo, mas ficou bem claro a ideologia por trás.

    Beijos.

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  2. Gosto muito da filosofia oriental. Buda era um mestre que mostrou que o ser humano tem um Deus dentro de si. Em dado momento um de seus discípulos questionou porque um ser humano mata o outro, que a vida era tão linda, porque se contaminar com o ódio? E Buda disse que, a morte é tão real quanto a vida, crer que uma coisa é melhor que a outra é egoismo e completou, a morte não é o fim, mas sim o começo de uma nova jornada.

    De certa forma, como humano, não temo a morte, mas sim de morrer antes da minha hora (acidente ou assassinado), sei que é um pensamento egoista meu, mas eu não sou Buda. Penso que no pós morte, teremos muito mais a vivenciar do que esse mero período carnal.

    É um assunto longo e bom pra se discutir. Adoro as filosofias Budistas, Taoistas e Hinduistas.

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  3. Ora veja só, me surpreendi! Não pensava que vc tinha esse conhecimento! Mas foi soberba minha!
    Bem, todas as religiões do mundo e todas as doutrinas espiritualistas fazem do pós-morte um objetivo a ser alcançado. De uma maneira ou de outra, elas separam o bem do mal, céu e inferno, algumas com certas alegorias, outras fazem de uma maneira bem próxima à nossa realidade material. Temos o catolicismo e suas vertentes protestantes, as crenças orientais e seus similares ocidentais e, menos lembrada, mas tb importante o gnoticismo e o catarismo. Na África e no Brasil temos as correntes umbandistas. Quais delas não tratam sobre o assunto? Algumas reservam aos mortos lugares apropriados, de onde não podem sair e, outras seguem o caminho inverso, dão à eles liberdade, segundo seus merecimentos. Na verdade duas frases resume tudo:
    A cada um conforme suas obras!
    Daqui não sairás até que pague o último cetil!
    O assunto é vasto e não seria em um blog erótico que ganharia força e discussão! Já escrevi contos com o mesmo conteúdo, por que acho um assunto bom de desenvolver e o ser humano faz do sexo a sua prisão, ou seja é movido pelo sexo e por ele é capaz de muitas coisas! O que somos aqui, levamos para o outro lado, seja no céu ou no inferno, nas colônias ou paraísos!

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  4. Bem... não sei se o Conde Vlad vai ler o meu comentário!!!!
    Mas falando da réplica da Lena, ela é irretocável. Provas reais de que há vida pós morte, eu já tive várias. Provas tão concretas, como essa história da Lena. Que no final, mostra-nos o suicídio e sua prisão no Vale dos Suicidas e do mal que essa atitude extrema coloca.
    "A cada um conforme suas obras! Daqui não sairás até que pague o último cetil!"
    Você virá aqui tantas vezes, nesse mundo de expiação e provas, quantas forem necessárias para seu desenvolvimento espiritual pois... "todas as religiões do mundo e todas as doutrinas espiritualistas fazem do pós-morte um objetivo a ser alcançado. De uma maneira ou de outra, elas separam o bem do mal, céu e inferno, algumas com certas alegorias, outras fazem de uma maneira bem próxima à nossa realidade material. .."
    A reencarnação é um fato... dai se explicam tantos gênios precoces.... já há que se observar como as crianças estão mais inteligentes e precoces.... são espíritos evoluídos que estão vindo para as últimas provas...
    Lena... conto perfeito. Fico feliz em ler algo mágico assim, com (repito!) teu fio condutor de ficção cinematográfica.
    Um conto digno de uma Zíbia Gasparetto, não fossem as tintas eróticas.... p que não tira o mérito da alta qualidade do post.
    Lena... já te falei que essa tua vertente é coisa de espírito evoluído.... não abandone essa temática....
    SENSACIONAL... A HISTÓRIA É FENOMENAL...!!!!

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  5. "Minina"... essa história me impressionou!!!
    Vim aqui lê-la de novo!!!!!!

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