Devoradora de Homens

por H. Thiesen 

Há dias em nossas vidas que o desejo surge de forma inevitável e essas horas, tornam-se irremissíveis.
Sentada em um canto, ela sentia um estado de torpor latente, resistia ao desejo que consumia o seu ser, mas sabia que não poderia retroceder. Sentia-se febril, uma vontade louca secava-lhe a boca e mesmo que resistisse aos caprichos da sua alma, ela a desejava insaciavelmente.
Desde o dia do oráculo, quando recebeu sua sina e seu fado tornou-se incessante em seu corpo, tornou-se lasciva. Não descansava um segundo com seus pensamentos profanos e aquela noite, era mais uma daquelas, nas quais não dormiria sem satisfazer suas vontades.
Os olhos no teto, o corpo encolhido no canto, o pensamento dando voltas e não a deixando em paz. Um desejo latente fazia suas carnes tremerem, mais ainda, naquela noite de Dia das Bruxas.
Arrependera-se à tempos, por ter aceitado receber seu destino, mas havia jurado e haveria de honrar o juramento até sua morte ou, até o dia que pudesse quebrar o encanto e passar o seu fado para uma outra. Seria assim, uma criatura vazia, capaz de enfeitiçar quem ousasse olhar para ela, capaz encantar os olhares com a sua beleza diurna e apavorar qualquer um com sua feiura noturna. 
As noites para ela eram verdadeiras torturas, sua aparência dantesca não a possibilitavam satisfazer seus desejos e escondia-se nas sombras da noite, à espera do dia. Seu corpo ela lindo, esbelto, mas o rosto era de fera abominável. Sabia como quebrar o encanto da noite, mas precisava criar coragem, sair do esconderijo, a fim de quebrá-lo, saciar-se e transformar-se na bela.
Quase podia senti-la, entre os seus dedos ao alcance dos lábios, salivava ao lembrar do seu saboroso néctar, enlouquecia sentindo na boca o gosto umedecido da suculenta fruta, sucumbia à lembrança do aroma de extremo prazer. Entreabria a boca aguada e no peito palpitava as ansiedades, contornava os próprios lábios com sua língua insaciável, precipitando o sabor e, engolindo a saliva tentava saciar-se com o que ela não tinha na boca, mas desejava ardentemente. 
Tamanha era sua gula, que não se importava como ela fosse. O tamanho, o formato, a cor, eram questões meramente secundárias, desde que a tivesse para si, entre seus lábios carnudos, para em êxtase, sorver a sua saborosa essência e deleitar-se. Queria tê-la em suas mão, apertá-la, segurá-la com seus dedos, acariciá-la e devorá-la inteira, sentir o suco escorrendo-lhe pelos lábios e queixo, quem sabe pingando e molhando-lhe os seios redondos e volumosos.
O que fazer, pensava ela, encolhida ao canto escuro. O que fazer com esse desejo incontrolável, muito maior do que ela. Precisava sair, saciar-se com o néctar e transformar-se, para suprir os desejos do seu corpo. Somente depois se acalmaria e poderia usufruir de um sono renovador.
O seu corpo ardia de desejo, a umidade escorria-lhe entre as pernas, os bicos dos seios doíam de tão duros e sensíveis. Ela precisava de sexo, de um membro potente dividindo-lhe as carnes e entrando no meio das suas coxas. Depois poderia dormir!
Era tarde da noite e ela rendeu-se. Rompeu com seus medos, mesmo que vissem o seu feiume. Desafiando as sombras e o frio, saiu às pressas, do jeito que estava. Escondendo sua feiura de beco em beco, esgueirando o aspecto horrendo pela escuridão. Sozinha e com medo foi na direção do cais, onde ainda havia movimento. Comerciantes buscavam recompor seus estoques, feirantes abasteciam-se com frutas deliciosas, meretrizes esperavam os clientes, vadiagem de todos os tipos de um lado para o outro. Paisagem grotesca e decadente, perfeita para ela. 
Sorrateira, no escuro, escondendo-se entre as caixas, procurava e finalmente a encontrou. Ela estava ali, bela à sua frente, pronta para ser sorvida e devorada. Cautelosa esticou sua mão e num bote certeiro, agarrou-a e trouxe-a para si.
- Ah! Deliciosa maçã!
À primeira mordida o encanto passou, a ogra tornou-se bela, pronta para sair à conquista e satisfazer seus desejos e libido, naquela noite fria. Porém, tinha pouco tempo, a quebra do encanto durava apenas uma hora, tempo suficiente para seduzir, satisfazer-se e sugar as energias da vítima, que lhe proporcionaria continuar bela e sedutora, até o por-do-sol do outro dia, uma devoradora de homens!

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Um comentário :

  1. Que deliciosa história minha doce Deusa!!!!
    Bela história, construída com o fio de suspense necessário ao final....!!
    Talento de sobra.... docinho!!!

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