Bella, a vampira

por H. Thiesen 

O véu negro da noite é o crepúsculo da minha existência atemporal. Os ventos impiedosos de crueza e luxúria sopram através do meu ser. Sempre fui fria e me senti sozinha, como uma vagueante noturna, desmoronando por dentro, nas noites frias e desertas da Escandinávia, sou eterna e imortal.
Era uma noite gelada, aliás, para nós a noite é sempre gelada, e eu já havia me alimentado. Logo depois do sol se por, quando o manto negro da noite cobriu a cidade, saí da minha toca, sobrevoei os subúrbios e escolhi entre a marginalidade de algum lugar fétido, a minha vítima diária. Suguei todo o sangue e com minhas mãos arranquei-lhe a cabeça para que não se transformasse em meu semelhante. Vampiro não pode ser marginal, já somos sanguinários ao extremo. Gosto de me alimentar com essa podridão, ganho mais força e elimino o mal nessa cidade. Foi numa dessas vezes que eu a encontrei e a reconheci como a minha eterna amada, que a tanto eu procurava e ainda naquela mesma noite nos amamos.
O alimento trouxera-me vitalidade, minha aparência sobrenatural e horrível desaparecera, minha face estava corada , meu corpo ganhara opulência e eu me transformara da besta na Bella, a vampira, linda e sensual.
Era quase meia-noite, eu estava pronta, para ir ao encontro da minha amada, uma mortal, linda e gótica.
Vampiros viajam pelo pensamento,  para nós, basta-nos pensar e já estamos lá, frações de segundo duram uma longa viagem, um segundo ou muito menos. 
Penso e pairo à sua volta, ela não podia me ver, mas eu sentia o seu cheiro, mas um cheiro profundo, cheiro de alma. Notei ela agitada, talvez sentindo a minha presença arrebatadora. Ainda pairando, eu observei por algum tempo, rodeada por um grupo de jovens fascinados com sua beleza. Naquele lugar, ela destacava-se pela sua beleza, entre todas as outras.
Procurei um canto escuro, pousei e deixei-me voltar ao mundo dos vivos, materializando-me discretamente e fui ao seu encontro.
Como sempre, ela estava divinamente bela, com um vestido preto deixando seus ombros nus, um cordão de ouro e um pingente caindo entre os seios, davam-lhe um charme todo especial. Ela me olhou e caminhou na minha direção, vindo lentamente sobre o seu sapato de salto, jogando os seus quadris de um lado para o outro. Abraçou-me fortemente, espremendo seus seios contra os meus e me beijou ardentemente. Sussurrou alguma coisa em meu ouvido, virou-se e conduzindo-me pela mão, voltou para junto dos amigos.
Todas os dias e noites eu sonho com ela. Em todos os meus sonhos uma porta esta sempre aberta, por onde ela chega e faz o fogo atravessar o meu corpo, transformando a noite em um tempo infindável e de desejo irrefreável.
Assim é o meu sentimento pela minha amada, meu anjo negro, não importa quantos anos ou séculos, eu sempre serei sua.
Naquela noite nós dançamos, conversamos banalidades, mas lagrimas brotaram dos meus olhos, quando lembrei da nossa condição, apesar dela insistir, eu não poderia falar e então, pegando um lenço da sua bolsa, ela enxugou meus olhos borrados.
Do mesmo jeito que ela chegou, também se foi. Beijou novamente meus lábios e partiu com seus amigos mortais.
Quanto a mim, fiquei pasma, não acreditei que havia deixado-a ir embora. Depois de tanto tempo sem sentir calor, sem beijar uma boca ardente, sem sentir perfumes, consegui passar apenas alguns minutos ao seu lado e ficar observando-a desaparecer da minha vista, do mesmo jeito que acontecera à séculos atrás.
Voltei a realidade, ao mundo dos seres transcendentes, estava com sede e faminta, o local estava completamente lotado e havia cheiro de sangue por toda parte. Sentei em uma das mesas desocupadas e pedi uma garrafa de vinho Valle Pradinhos, português de Trás-os-Montes e por que é do mesmo lugar que guardo na lembrança, na vida que já tive com ela.
Enchi a taça, coloquei a garrafa sobre a mesa e fiquei observando as pessoas, um pouco adiante duas jovens dançavam, uma delas de vez em quando me olhava e senti o seu interesse. Resolvi trocar olhares com ela e pouco depois já estávamos conversando e flertando. Uma jovem loira e linda, chamava-se Lauren, confessou-me que era lésbica, apesar de que, eu já havia lido seus pensamentos, não demorou muito para nos beijarmos e trocarmos carícias ousadas. Muitos nos olhavam, mas sem se surpreenderem, o local era predisposto aos amores diferentes e no meio das sombras, nos cantos mais escuros alguns jovens faziam sexo. Levei-a para um desses cantos escuros e a amei.
Beijei sua boca vermelha com ardência, segurei seus seios com minhas mãos frias e apertando um contra o outro, fazendo-os saltar pelo decote, lambi-lhe o colo e depois retirando-os de dentro da blusa, suguei seus mamilos com delicadeza. Encostando-a na parede, levantei a sua saia e abri as suas pernas. Abaixei-me e fiquei ajoelhada a sua frente e segurando-a pelas nádegas, trouxe-a ao encontro da minha boca. Suguei seu clitóris, lambi a deliciosa entrada e sorvi o mel que escorria dela. Sempre apertando as suas nádegas, prossegui as minhas carícias com a língua insistente, até que ela desabar e gozar puxando os meus cabelos. Subi até sua boca, deslizando meus seios no seu corpo, beijei-a novamente, dando-lhe para saborear um pouco do seu gozo. Quase desfalecida em meus braços, ela não notou-me descer ao seu pescoço e cravar as minhas presas na sua carótida.
Suguei quase a totalidade do seu sangue, deixando-a moribunda, mas resolvi poupá-la e fazê-la a minha escrava. Daquela noite em diante, estávamos ligadas pelo sangue, corpo e alma e, sempre que eu quisesse, ela estaria a minha disposição, para me alimentar a fome ou os desejos de vampira sensual. Deixei-a sentada ao chão e recostada à parede e saí dali como cheguei, através dos meus pensamentos, como uma nuvem escura desapareci. Ela teria alguns dias de febre e logo estaria bem, pronta para servir a sua Ama.
Faltavam três horas para o dia nascer, voltei para a minha toca e sonhei com a minha doce amada. Como sempre, uma porta se abriu, mas dessa vez eu também atravessei a porta. Outras noites virão e não perderei a mais nenhuma oportunidade, a encontrarei novamente e farei-a minha para sempre!

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6 comentários :

  1. Lindo o conto.... deliciosamente lindo!!!
    Amores imortais são mesmo assim, atravessam séculos, anos, tempos incontáveis enfim....
    A narrativa é impressionante, pelo tom escuro do texto!!!...

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  2. Não publique claro...
    Sei que você não vai ficar chateada comigo... sei disso:
    "Suguei todo o sangue e com minhas mãos arranquei-lhe a cabeça para que não se transforma-se em meu semelhante.".... O correto é "transformasse"...

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  3. Sacana..... era para não publicar!!!!!!!!!!!!!!

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